A caminho da escola

Um dia desses levava meu filho e um amigo dele para a escola, os dois iam passando o ponto de uma prova de história, eu, na frente, guiando o carro, ia prestando atenção no que os dois falavam; estava curiosa para saber o que eles estavam aprendendo na escola. Em pouco tempo, aprendi muita coisa também. Aprendi que Pepino, o Breve, era o pai de Carlos Magno. Que informação curiosa, pensei comigo mesma: “Como vivi até hoje sem saber disso!”. Pepino, o Breve, está aí um nome para nunca mais esquecer. Quem sabe um dia pararão o meu filho na rua e perguntarão a ele: “Quem foi o pai de Carlos Magno?”.  Ele responderá: “Pepino, o Breve”.

“O estudante”, Vincent van Gogh

Confesso que me senti um pouco ignorante, por não saber que Pepino, o Breve, um dia existira. Mas eu também guardava, desde a época do primário, uma informação importante, decorada tão duramente para uma prova de história, que nunca mais me esqueci dela, embora, confesso, nunca mais a tenha usado, depois daquela época. Para me valorizar perante os meninos, perguntei a eles: “Vocês sabem quem trouxe o café para o Brasil?”. Eles ficaram em silêncio; acho que a minha pergunta era meio deslocada e não tinha nada a ver o Império Carolíngio. Diante do silêncio deles, respondi: “Tomé de Sousa!”, sim, Tomé de Sousa, há anos eu tinha vontade de compartilhar com alguém essa informação.  Terminei o colegial, fiz faculdade, pós-graduação e nunca, ninguém, depois daquela prova no primário, havia me feito essa pergunta. Mas, agora, eu estava aliviada, compartilhei, enfim, com o meu filho e o seu amiguinho, que Tomé de Sousa trouxera o café para o Brasil. Que alívio, que leveza! Não sei se os meninos ficaram impressionados com a minha erudição, pois não teceram nenhum comentário a respeito e prosseguiram fazendo entre eles perguntas estranhamente úteis sobre o Império Carolíngio.

Dirce Waltrick Do Amarante

Publicou livros como Cenas do teatro moderno e contemporâneo, Pequena biblioteca para crianças e As antenas do caracol.