Costa Normanda

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Parecem ruínas
têm feição de ruína
mas repara:
elas transmudam-se
seduzem
estão vivas
monumentais
vencíveis
(são falésias)
flor do assédio de um mar
que abre flancos
com violência lenta
indo e vindo
esculpindo
com somente tempo
e espuma
a pedra fêmea
de alabastro
a costela clara do mar
onde os barcos
encontram sombra.

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Este poema faz parte do livro Tempo de voltar, no prelo.

Imagem em destaque: Les falaises d’Étretat, 1885, Claude Monet

Mariana Ianelli

É poeta, ensaísta e crítica literária. Publicou, entre outros, os livros Fazer Silêncio, Amáldena e Treva Alvorada.