Uma aula de poesia

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A professora pediu que o menino fizesse uma poesia sobre a água, ele fez, meio prosa poética, meio experimento neodadaísta. A professora não gostou, torceu o nariz e sentenciou: “poesia que é poesia tem que ter rima”. “A rima é a solução”, pensou rapidamente o menino, refez o poema que ficou agora todo rimado e esqueceu para sempre aquela história de poesia em prosa, neodadaísta e outras “atrocidades” literárias. Mas a professora releu o poema e mais uma vez torceu o nariz, as rimas não faziam sentido. “Mas ué…”, pensou o menino, “e tem que fazer sentido? Não basta rimar?”. O menino refez o poema. A professora leu, torceu o nariz, olhou contrariada para o menino e indagou séria: “Não tem final?”. “Não, só tem começo”, disse o menino que, então, tirou zero.

(Fragmento da biografia não autorizada de Macedonio Fernández,intitulada El niño Macedonio en Brasil)

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Dirce Waltrick Do Amarante

Publicou livros como Cenas do teatro moderno e contemporâneo, Pequena biblioteca para crianças e As antenas do caracol.