Fábulas para quem vai pisar no palco

banner-dirce-blog

Fábula 1

Suponhamos uma peça de teatro…

Cena I
No centro do palco um homem ajoelhado segura o corpo ensanguentado de outro homem que está morto. Entra uma mulher e vê a cena com espanto. Desce a cortina.

Cena II
O homem que segurava o morto e a mulher que assistia à cena estão numa praia.
(Eles são as únicas personagens da peça e irão atuar em todas as cenas. A primeira cena é relembrada pelas personagens até o final da peça, e o grande mistério está nela.)

Suponhamos…
O ator que faz o morto não entra em cena, pois se considera melhor ator do que seu colega protagonista. Seu colega protagonista, no entanto, tem certeza de que possui mais talento do que o seu colega que faz o morto.

Bom…
O fato é que o ator que faria o morto não entra em cena e a peça não tem como começar, as cortinas não abrem, o espetáculo não acontece.
O público fica revoltado, o teatro tem que devolver o valor da bilheteria e a companhia deve pagar os danos causados ao dono do teatro.
Os jornais não dão nenhuma notícia, pois acham que não vale a pena falar de uma companhia teatral pouco profissional.
Os críticos não assistem mais aos espetáculos dessa companhia e os teatros não cedem espaço para os seus espetáculos.

Moral da história à moda de Esopo:
Na vida trabalhamos em grupo! Se um falhar, todo mundo falha.

***

Fábula 2

Um ator tem que entrar em cena, mas antes de entrar reflete: “Devo ir até o centro do palco e virar meu rosto. Tenho que virar meu rosto para a esquerda ao para a direita?”
Nem o texto nem o diretor deixaram claro para que lado ele deveria virar o rosto. Na dúvida, resolveu não entrar em cena. Os outros atores que o aguardavam no palco não souberam o que fazer, e os atores que estavam na coxia com ele resolveram não se meter.
O espetáculo foi interrompido, pois esse ator era importante em cena.

Fábula 3

Um ator tem que entrar em cena, mas antes de entrar reflete: “Devo ir até o centro do palco e virar meu rosto. Tenho que virar meu rosto para a esquerda ao para a direita?”
Nem o texto nem o diretor deixaram claro para que lado ele deveria virar o rosto. Na dúvida, entrou em cena e virou o rosto para a direita e depois para a esquerda. Seus colegas ficaram aliviados.
O espetáculo prosseguiu com sucesso.

Fábula 4

Um ator tem que entrar em cena, mas antes de entrar reflete: “Devo ir até o centro do palco e virar meu rosto. Tenho que virar meu rosto para a esquerda ao para a direita?”
Nem o texto nem o diretor deixaram claro para que lado ele deveria virar o rosto. Na dúvida, resolveu perguntar para seus colegas de coxia, mas eles não sabiam responder. Assim mesmo, ele entrou em cena e virou o rosto para a direita e depois para a esquerda. Seus colegas o aplaudiram.
O espetáculo prosseguiu com sucesso.

Moral à moda de La Fontaine:
Na vida temos que tomar decisões e não ficar esperando apenas as instruções do diretor.

 

Dirce Waltrick do Amarante