Le bruit du champagne

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Liberado o uso de arma de fogo, as senhoras da sociedade de Alameda do Sul, que se reuniam havia mais de 20 anos todas as terças à tarde para celebrar a vida e exibir suas novas bolsas Chanel, Gucci, Prada etc., passaram a ter mais uma novidade para mostrar às amigas: os seus revólveres. 

Alguns apresentavam detalhes personalizados (eram dourados, ou pretos com pontos prateados, ou com estampa de onça).

Foi numa dessas tardes festivas, enquanto tomavam champanhe, mexiam no celular de última geração, para procurar as fotos da última viagem a Abu Dhabi ou a outro lugar da moda, e ostentavam discretamente a boca do cano de seus revólveres que brotava de suas bolsas semiabertas, que o músico Zilu Mendes, contratado para animar o encontro, foi barbaramente assassinado, assim como todas as damas da sociedade, os garçons e demais serviçais que se encontravam no local.

O caso foi o seguinte, pelo que li nos jornais: Zilu ligou dois microfones ao mesmo tempo, o que provocou uma microfonia alta e aguda, assustando as senhoras. Uma delas, instintivamente, sacou o revólver de sua bolsa de couro de cabra Prada e atirou em direção ao som. Atingiu uma das cristaleiras da casa. O novo barulho produziu um efeito em cadeia: as mulheres, uma a uma, puxaram os seus revólveres das bolsas e começaram a atirar em todas as direções.

Segundo os policiais militares que atenderam ao caso, as trouxinhas de camarão ainda estavam quentinhas, e o champanhe, gelado.

Dirce Waltrick do Amarante