Fique tranquila

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“Esta fumaça não parece coisa normal.”

O avião saiu no horário, naquela manhã mais fria do que o esperado. A cadeira 30B falava com voz destoada tão insuportável quanto a do pássaro na gaiola do vizinho. Eu estava ali na mais estranha das fronteiras: a vizinhança das poltronas de um avião. Pensei perversamente em metamorfoseá-la em poltrona para com os meus 120 quilos esmagar sua voz. Olhei-a com atenção, o avião ainda passeando na pista. Não sou bom para adivinhar a idade das mulheres, mas vou chutar: quase oitenta. Disse para ficar tranquila.

“Fique tranquila”, eu disse. 

 

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