A literatura contemporânea local tem demonstrado que já não cabe mais em folhas de papel. Se há um bom tempo as palavras dos nossos autores invadiram a internet e ganharam voz numa nova onda de recitais espalhados pela cidade, agora parece que o espaço a ser conquistado são as telas de cinema. A mais recente produção literária que ganha imagem e som é o livro de contos Matriuska, de Sidney Rocha, cuja adaptação cinematográfica de mesmo nome terá estreia hoje, às 20h, no Cinema da Fundação, com entrada gratuita.
A sessão ainda inclui a exibição de outro filme dessa nova safra audiovisual com veia literária - A minha alma é irmã de deus, de Luci Alcântara, lançado em outubro do ano passado na Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. A história é baseada no último romance do escritor Raimundo Carrero, que no mês passado venceu o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Biblioteca Nacional.
Já os contos de Sidney Rocha foram transformados em curta-metragem por Pablo Polo, que faz sua estreia como diretor de cinema. Ele entrou em contato com a obra para fazer um vídeo promocional do livro. "Já conhecia Sidney, trabalhamos juntos uma vez e ele me pediu para fazer o comercial do livro. Mas durante esse processo, vimos que daria para fazer um curta", recorda o cineasta.
Em 15 dias, Polo reuniu elenco e elaborou o roteiro do curta, que foi rodado apenas com recursos privados, na brodagem, graças à dedicação de atores e profissionais que abriram mão de cachê. "Sidney me deixou muito livre para trabalhar. O filme é inspirado no livro, são minhas impressões sobre o que ele escreveu", revela o diretor. Com 15 minutos de duração, o filme reúne algumas das 18 histórias que constituem o livro de Rocha e mais outras criadas pelo próprio cineasta.