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  Filosofia/Religião
Da clausura do fora ao fora da clausura
Peter Pál Pelbart
Tradução: Ana Goldberger

DADOS TÉCNICOS:
16x23cm | 240 páginas
ISBN: 978-85-7321-263-1

Situação:Normal



O que é um pensamento “desarrazoado”?

No que é ele distinto da loucura dita clínica, ou da sensata racionalidade?

Quais experiências, no contexto contemporâneo, atestam a força de uma experiência da desrazão, seja no campo filosófico, poético ou mesmo existencial?

Foucault mostrou que enquanto a sociedade enclausurava os ditos “loucos”, paralelamente, segundo um registro e um ritmo próprios, a filosofia excluía de seu domínio uma dimensão desarrazoada com a qual mantivera, outrora, uma enigmática vizinhança.

Peter Pál Pelbart acompanha e aprofunda essa intuição foucaultiana, e a prolonga na direção de nossa atualidade. Percorrendo autores como Kafka, Artaud, Blanchot, Barthes, Serres, Lacan, Derrida, e sobretudo Deleuze, o autor traça uma linha ziguezagueante no pensamento contemporâneo.

Não se trata de estetizar a loucura, ignomínia frequente, muito menos de fazer a abominável apologia da irracionalidade.

O desafio consiste, ao contrário, em sondar algumas potências do pensamento e da vida, em domínios diversos, que extrapolam a clausura que a racionalidade ocidental, em sintonia com a racionalidade psiquiátrica, reservaram a uma experiência da diferença.

De Platão a Hegel, passando por Descartes ou Kant, não faltam deslocamentos na relação que a filosofia entretém com a desrazão.

Porém de Nietzsche a Deleuze, e para além dele, um novo diálogo parece possível, com o risco de que o próprio pensamento se ponha em xeque, chegue a seu limite, ou soçobre no silêncio.

É a isso que Foucault chamou, inspirado em Blanchot, de “pensamento do fora”.

Um dos desafios aqui presentes é explorar as possibilidades incertas de um tal vetor.

Num momento em que o capitalismo abraçou a totalidade do planeta, transformando-o numa mesmice intolerável, o interesse de um pensamento da exterioridade pode recobrar sua relevância.

Assim, as questões que esse livro levanta, a partir de conceitos e noções provenientes do campo da filosofia ou da literatura, ganham uma dimensão política inesperada.

Por exemplo: o que resta da exterioridade que antes loucos, poetas e revolucionários encarnavam de modo privilegiado?

Para onde foi a potência de desterritorialização de que eram portadores exclusivos?

Como se alterou essa singular geografia do pensamento?

A que ponto se redesenhou a fronteira entre loucura e desrazão, entre a vida vivida e o invivível da vida, no domínio individual, coletivo, molecular ou molar, filosófico ou existencial?

Nada há neste livro que não esteja à espreita em cada vida, por mais ordinária que pareça: a suspeita de que margeamos um abismo, de que o bom senso ou a racionalidade são fortalezas frágeis que não nos protegem das invasões bárbaras, a começar por aquelas que nos habitam – ideias nômades, velocidades inauditas, desfalecimentos, paixões de abolição, linhas de vida e de morte.

Da Clausura do Fora ao Fora da Clausura: Loucura e Desrazão não pretende apresentar uma doutrina sobre a loucura, mas convida o pensamento a uma relação outra com a desrazão.

Na interface entre a filosofia, a clínica, a estética, a etnologia, esse texto pode ser lido como a exploração, ora poética ora conceitual, de uma virtualidade que nos rodeia ou habita, à nossa revelia.

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