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  Literatura Estrangeira
Pele e osso
Luis Gusmán
Tradução: Wilson Alves-Bezerra

DADOS TÉCNICOS:
16x23cm | 224 páginas
ISBN: 978-85-7321-288-4

Situação:Normal



Um magrelo cinquentão cocainômano, recém-convertido ao protestantismo, cujo sugestivo apelido – Osso – é o que lhe resta quando perde a memória e acorda numa favela com uma gorda louca que diz ser sua esposa.

Um vendedor de peles gordo e diabético, acossado pelo Greenpeace e o aquecimento global numa Buenos Aires na qual seu ofício herdado da família vai se tornando anacrônico, e que ao sair com prostitutas diz ser o advogado Roberto, e não o peleteiro Landa.

Esses são Pele e Osso, os personagens-marginais do mais novo romance do consagrado escritor argentino Luis Gusmán, autor de O vidrinho (Iluminuras, 1990) e Villa (Iluminuras, 2001).

Entre Pele e Osso, o narrador tece uma intrincada rede de tipos que compõe uma Buenos Aires decadente, como o engenheiro que também é piloto de barco; alguém cujos maiores atributos são o nome – Bocconi –, as piadas óbvias e a desconfiança contra quem mente o próprio nome e a profissão; a bioarquiteta e radiestesista que fez plástica para mudar a energia do rosto; a prostituta de nome russo que ganha um extra como reikiana; o pai-de-santo sedutor que rouba a mulher de Osso; a bióloga ecologista que trai o marido com o professor de mergulho e se apaixona por um peleteiro que se diz advogado.

Tais personagens se encontram pela habilidade narrativa ágil e econômica de Gusmán, que tem como uma de suas principais virtudes deixar falarem seus personagens. A força do diálogo é recuperada neste livro, e cada um desses anônimos, com as suas palavras ditas à meia, se escondem e se mostram, em silenciamentos compartilhados pelo narrador, sempre comedido.

Em Pele e Osso, a fala está reduzida ao essencial, não o da comunicação, mas o que caracteriza o diálogo vivo, com suas vacilações, provocações mútuas, mal--entendidos, silêncios.

E o que une Pele e Osso? Interesses egoístas, a fúria incendiária compartilhada, um plano terrorista delirante ou apenas um fiapo de comunhão contra o desamparo, numa condição que os impele à solidão? Enfim, é difícil saber, pois nesta Buenos Aires, a globalização, o ecologismo, o charlatanismo e outras mistificações se somam como uma torrente alienante, em contraponto a Pele e Osso, que ao se exporem numa dimensão intimista, revelam-se não meramente como tipos alienados, mas como singularidades vivas, que podem inclusive trocar de nome, fé, profissão e bandeira, por conveniência ou necessidade. Há poucas respostas.

Poderia se dizer também que Pele e Osso é um livro sobre a amizade.

Wilson Alves-Bezerra

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