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  Crítica/Teoria Literária
Segundo arco-íris branco, O
Haroldo de Campos

DADOS TÉCNICOS:
16x23cm | 288 páginas
ISBN: 978-85-7321-300-3

Situação:Normal



Este livro tem, a meu ver, um valor íntimo que vai além de seus argumentos, cuja força, pelo peso e pela amplitude da erudição, se impõe ao leitor desde as primeiras linhas.

Argumentos sempre podem correr o risco de obscurecer, sem lograr garantir, o efeito estético que pretendem justificar; a doutrina reiterada a cada passo estará sujeita à contestação, se o ponto de vista de quem lê for diverso do exposto.

No entanto, uma coisa é irrecusável: a paixão medular com que o autor persegue seu alvo, através da arte da tradução e da crítica, nos mais diferentes textos, da Bíblia ou da poesia chinesa, à poesia contemporânea ou a um teatro de nenhures.

A qualidade das traduções salta à vista. Por via delas, o que de fato ele busca é algo que se esquiva e só a forma revela. Os textos traduzidos, com sua variedade, dão testemunho do vasto percurso e da complexidade do trabalho.

Os pontos luminosos indicam que foi alcançada a meta intermitente e fugidia, graças ao enlace entre o poeta, o tradutor e o crítico (o que, no extremo, faz dele o intérprete dos símbolos babélicos do teatro do mundo).

Essa rara combinação tornou, de fato, Haroldo de Campos uma figura ímpar e inesquecível. Quem não teve a sorte de conhecê-lo vai encontrá-lo aqui de corpo inteiro, mais vivo do que nunca, na exuberância barroca de seu fervor pela palavra.

Para ele, a tarefa do tradutor consistia em reconfigurar na língua de chegada, pela transposição hiperliteral, sem perder o mínimo traço significativo, a forma significante do original, conforme a lição de Pannwitz retomada por Walter Benjamin.

Haroldo, inspirando-se na experiência de tradutor de Ezra Pound e no saber linguístico de Roman Jakobson, procura pôr em prática essa proposta radical e difícil. Só o difícil é estimulante, diria uma vez mais o poeta. Reafirma, assim, a lição de Mallarmé de que apenas nas palavras se acha a substância ligeira, alada e sagrada, referida pelos gregos.

Somente nelas reside aquele algo que tão bem sabe se ocultar no silêncio, para ressurgir de repente da secreta aliança entre sentido e som: aquilo que, para nós, se faz enigma e assombro e se chama simplesmente poesia.

É ela que unifica numa só luz o variado prisma deste livro e guarda, em seu íntimo, o valor mais precioso.

Davi Arrigucci Jr.

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