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  Poesia Brasileira
desencontro dos canibais, O
Sérgio Medeiros

DADOS TÉCNICOS:
14x21cm | 96 páginas
ISBN: ISBN: 978-85-7321-412-3

Situação:Venda



“Existiria por acaso um canibalismo onírico, fundador do novo mundo?” Com essa questão, o poeta e tradutor Sérgio Medeiros constrói O desencontro dos canibais, uma insólita transformação da Lenda de Jurupari, publicada por Ermanno Stradelli a partir de tradições orais indígenas da Amazônia.

Medeiros é organizador de uma edição importante do próprio Jurupari e de estudos sobre essa e outras narrativas ameríndias, além de assinar uma tradução fundamental do grande poema mítico dos Maia-Quiché, o Popol Vuh.

Ninguém melhor do que ele, portanto, para realizar tal contaminação desejada entre os universos indígenas e a criação literária. Munido de toda essa bagagem, o autor oferece pequenos contos marcados por uma série de canibalismos, mas diferentes, aqui, da antropofagia ritual outrora realizada por alguns povos indígenas. Nestas páginas, o canibalismo será reinventado e investido de uma potência criadora, capaz de gerar alteridades e estados insuspeitos.

O livro-cidade-floresta é povoado por árvores que se comem entre si, por gaivotas e urubus que quase desaparecem por não resistirem ao impulso de autodevoração, por personagens que atravessam estados animais e vegetais entrecruzados na referência projetada pelos contos.

Apresenta-se um mundo em que a própria Terra carece de solidez e parece se liquefazer, como se ainda não tivesse fronteiras ou contornos definidos.

Mas a Terra, assim como os outros tantos não humanos humanizados dessa narrativa, será também uma pessoa a lavar suas roupas, as roupas que criam a cor das águas e que o vento gostaria de usar.

O desencontro dos canibais estabelece um registro ficcional interessante a partir desse diálogo com as formas míticas de pensamento mantidas há tempos pelos narradores ameríndios. Elas se referem a outras formas de realidade, capazes de propor para a literatura caminhos menos traçados do que poderiam ser.

Sérgio Medeiros tem o mérito de explorá-los de maneira intrigante em seu livro.

Pedro Cesarino

SÉRGIO MEDEIROS nasceu em Bela Vista (MS) e atualmente reside em Florianópolis (SC). Ensina literatura na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Traduziu para o português, entre outros, o poema maia Popol Vuh (Iluminuras, 2007), em colaboração com Gordon Brotherston.

Publicou Mais ou menos do que dois (Iluminuras, 2001), Alongamento (Ateliê, 2004), Totem & sacrifício, edição bilíngue português/espanhol (Jakembó, 2007, Assunção, Paraguai), O sexo vegetal (Iluminuras, 2009), finalista do Prêmio Jabuti 2010 e lançado nos Estados Unidos sob o título Vegetal sex (UNO Press/University of New Orleans Press, 2010), Figurantes (Iluminuras, 2011) e Totens (Iluminuras, 2012), todos livros de poesia.

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