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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Poesia se funde com a prosa

Livro de Arnaldo Antunes exibe textos poéticos em grandes narrativasNo fim de um poema em prosa, Arnaldo Antunes avisa: E quando o texto acaba a escrita continua. Não sabe explicar muito bem como, mas sente que é assim. O poema não tem título e ilustra um pouco a postura de Antunes diante da prática da poesia: muitas vezes, a palavra não é tudo e sim parte de uma estrutura poética. Assim funciona n.d.a., livro recém-lançado pela Iluminuras.Em n.d.a., as palavras podem ser coisas e há os tradicionais poemas-objeto que também povoam outros livros de Antunes, além de uma combinação de símbolos gráficos e escrita, mas é na poesia quase prosa, de quatro, às vezes cinco páginas, que está a novidade. O autor garante que não anda pensando em enveredar pela ficção propriamente, mas não exclui a forma narrativa desses longos poemas, como os escritores da geração beat abusavam.– Acho que é um desafio de tentar um formato novo – explica.A publicação é a combinação de dois livros. O primeiro traz a produção mais recente e um conjunto de cartões-postais, imagens de placas espalhadas por todo o país e captadas por Antunes nos últimos 10 anos.– Penso em, no futuro, fazer um livro com isso, na verdade produzir um enredo como se fosse uma história em quadrinhos, mas é um projeto de fazer algo colorido, isso é como se fosse uma prévia do projeto maior. São placas que, tiradas do contexto original, têm uma coisa poética da relação do texto com o contexto no qual está envolvido. Tentei criar associações entre as placas. Na sequência acabou tendo quase que um enredo analógico subentendido.



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