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terça-feira, 20 de julho de 2010

Poesia quase prosa

Em seu novo livro, n.d.a, Arnaldo Antunes inova com textos poéticos de fôlego sem receio de cair em longas narrativasNo fim de um poema em prosa, Arnaldo Antunes avisa: “E quando o texto acaba a escrita continua.” Não sabe explicar muito bem como, mas sente que é assim. O poema não tem título e ilustra um pouco a postura de Arnaldo diante da prática da poesia: muitas vezes, a palavra não é tudo e sim parte de uma estrutura poética. Assim funciona n.d.a., o novo livro lançado pela Iluminuras.Em n.d.a., as palavras podem ser coisas e há os tradicionais poemas-objeto que também povoam outros livros de Arnaldo, além de uma combinação inevitável de símbolos gráficos e escrita, mas é na poesia quase prosa, de quatro, às vezes cinco páginas, que está a novidade. O autor garante que não anda pensando em enveredar pela ficção propriamente, mas não exclui a forma narrativa desses longos poemas, como os escritores da geração beat abusavam.– Acho que é um desafio de tentar um formato novo – explica.n.d.a é a combinação de dois livros. O primeiro traz a produção mais recente e um conjunto de cartões-postais, imagens de placas espalhadas por todo o país e captadas por Antunes nos últimos 10 anos:– Penso em, no futuro, fazer um livro com isso, na verdade produzir um enredo como se fosse uma história em quadrinhos, mas é um projeto de fazer algo colorido, isso é como se fosse uma prévia do projeto maior. São placas que, tiradas do contexto original, têm uma coisa poética da relação do texto com o contexto no qual está envolvido. Tentei criar associações entre as placas. Na sequência acabou tendo quase que um enredo analógico subentendido.



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