Titulo Autor      


  noticias


sábado, 23 de outubro de 2010

Catatau, a volta do livro mutante

Lançada em 1975, a obra do curitibano Paulo Leminski, fora de catálogo há muitos anos, é finalmente recuperadaAo ser lançado, em 1975, o livro Catatau, do curitibano Paulo Leminski (1944-1989), foi saudado em ensaios como um novo Finnegans Wake. Com justa razão. Além de tradutor de Joyce, Leminski, a exemplo do irlandês, fez uso irrestrito de citações míticas e eruditas, exigindo do leitor um repertório literário bem acima da média. O tempo só fez reforçar a importância desse livro, considerado um divisor de águas na literatura brasileira, uma "aventura textual" em que a lógica cartesiana vai para o brejo no pântano tropical. Bestiário que pode - e deve- ser confundido com ensaio filosófico, poesia concreta e revisão histórica do Brasil, Catatau ganha nova edição da Iluminuras, após anos fora de catálogo. E não uma edição qualquer: seu apêndice traz parte da fortuna crítica de Catatau com excertos de ensaios assinados por Haroldo de Campos, Flora Sussekind, Leo Gilson Ribeiro e Antonio Risério.Catatau é a história de uma espera, a do filósofo francês René Descartes (1596-1650) - chamado, no livro, de Cartésio - pelo polonês Krzysztof Arciszewski (1592-1656), general que chefiou as forças militares holandesas no Brasil. Leminski imaginou o que aconteceria se o fundador da filosofia moderna tivesse desembarcado no Brasil com os holandeses de Maurício de Nassau - ele, de fato, chegou a se alistar em seu exército, mas preferiu acabar seus dias dando aulas de filosofia para a rainha Cristina da Suécia. Morreu de pneumonia. Em Catatau, ele fuma uma erva que lhe consome a razão. Em seu delírio, vê monstros que o leitor da época poderia facilmente associar aos gênios do mal dominantes na ditadura (1975, ano da publicação do livro, foi também o da morte do jornalista Vladimir Herzog).



EDITORA ILUMINURAS - LTDA
Rua Inácio Pereira da Rocha, 389 Cep: 05432-011 - São Paulo - SP Tel/Fax: (11) 3031-6161