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terça-feira, 26 de outubro de 2010

A volta do Catatau de Paulo Leminski

Agência EstadoAo ser lançado, em 1975, o livro Catatau, do curitibano Paulo Leminski (1944 –1989), foi saudado em ensaios como um novo Finnegans Wake.Com justa razão. Além de tradutor de James Joyce, Leminski, a exemplo do irlandês, fez uso irrestrito de citações míticas e eruditas, exigindo do leitor um repertório literário bem acima da média.O tempo só fez reforçar a importância desse livro, considerado um divisor de águas na literatura brasileira, uma “aventura textual” em que a lógica cartesiana vai para o brejo no pântano tropical. Bestiário que pode – e deve – ser confundido com ensaio filosófico, poesia concreta e revisão histórica do Brasil, Catatau agora ganha nova edição, da Iluminuras, após anos fora de catálogo. E não uma edição qualquer: seu apêndice traz parte da fortuna crítica da obra, com excertos de ensaios assinados por Haroldo de Campos, Flora Sussekind, Leo Gilson Ribeiro e Antonio Risério.Catatau é a história de uma espera, a do filósofo francês René Descartes (1596 – 1650) – chamado, no livro, de Cartésio – pelo polonês Krzysztof Arciszewski (1592 – 1656), general que chefiou as forças militares holandesas no Brasil. Leminski imaginou o que aconteceria se o fundador da filosofia moderna tivesse desembarcado no Brasil com os holandeses de Maurício de Nassau – ele, de fato, chegou a se alistar, mas preferiu acabar seus dias dando aulas de filosofia para a rainha Cristina da Suécia. Morreu de pneumonia. Em Catatau, ele fuma uma erva que lhe consome a razão. Em seu delírio, vê monstros que o leitor da época poderia facilmente associar aos gênios do mal dominantes na ditadura (o ano da publicação do livro foi também o da morte do jornalista Vladimir Herzog).



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