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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A esfinge indecifrável

Iluminuras reedita Catatau, o livro de estreia de Paulo Leminski, publicado em 1975 e há alguns anos fora de catálogoPaulo Leminski (1944-1989) mostrou muitas de suas intenções e antecipou o que viria a fazer no futuro em Catatau, o primeiro livro que publicou, em 1975, e que acaba de ser reeditado pela Iluminuras.A obra é uma espécie de esfinge, que tende a devorar todos os que dela se aproximam. Decifrar o romance experimental é tão difícil quanto acertar os seis números da Mega-Sena. Sem exagero, talvez seja até mais fácil faturar o grande prêmio em dinheiro do que decodificar o que Leminski fez em seu projeto inicial de ficção, que provocou e ainda provoca turbulência na literatura brasileira.O argumento da obra já é uma isca que tende a seduzir, e a fisgar, o leitor. Renatus Cartesius, o protagonista e narrador, é um sujeito que chega ao Recife em meio às embarcações de Maurício Nassau, no século 17, nas chamadas invasões holandesas.O nome do protagonista é uma referência ao filósofo francês René Descartes (1596-1650), e essa escolha é irônica. Cartesius não consegue ser cartesiano nos quentes trópicos tupiniquins.Cartesius, a exemplo dos personagens de Esperando Godot, de Samuel Beckett, espera algo e, nesse tempo, se faz a obra. O personagem de Leminski delira. E é nesse estado de torpor que o texto flui, como um rio ou sonho, e isso lembra, em alguma medida, Ulisses, a obra máxima de James Joyce.A narração também é marcada por elementos de música e poesia. O poeta e compositor que Leminski já era quando escreveu Catatau aparece nas linhas do romance e, para conferir, basta fazer um recorte, ao acaso: “O olho cheio sobe no ar, o globo d’água arrebentando, Narciso contempla narciso, no olho mesmo da água. Perdido em sim, só para aí se dirige. Reflete e fica a vastidão”.



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