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sábado, 18 de dezembro de 2010

Nome que marcou toda uma geração

Fora de catálogo no mercado brasileiro, o cubano foi central para iniciantes de sua terra natal, nos anos 80Raquel Cozer - O Estado de S.PauloÉ simbólico que, numa busca por livros de José Lezama Lima pelas principais livrarias online do Brasil, os únicos exemplares disponíveis sejam importados. Editado em pequenas doses por aqui a partir da década de 80 - quando sua obra foi liberada também em Cuba, após as dificuldades inicialmente impostas pela Revolução -, o autor desapareceu das prateleiras nacionais sem chamar a atenção. O mais importante título, Paradiso, saiu em 1987, pela Brasiliense, que no ano seguinte pôs nas livrarias os ensaios de A Expressão Americana. Em 1993, foi a vez do volume de contos Fugados (Iluminuras) e, em 1996, de A Dignidade da Poesia (Ática), ambos vertidos por Josely Vianna Baptista, tradutora também de Paradiso."Lezama nunca foi um escritor de multidões", resume a professora Irlemar Chiampi, que verteu A Expressão Americana. "Ele é um escritor que influencia outros escritores, que vai às profundezas das referências culturais e poéticas da palavra." Não à toa, um de seus maiores entusiastas em território nacional foi Haroldo de Campos, o "mais barroco" dos concretistas - e que, em carta a Octavio Paz, em 12 de julho de 1978, chegou a anunciar um projeto, nunca levado a cabo, de um livro dedicado ao cubano.Há cinco anos na Alemanha, como residente do Programa de Escritores no Exílio do P.E.N. Center, o cubano Amir Valle, de 43 anos, hoje "se atreve a assegurar" que a obra de Lezama é mais conhecida fora de Cuba do que na ilha. "Em todos os países que visitei, me chamou a atenção ver como escritores e acadêmicos mencionam apenas cinco nomes quando se trata de clássicos cubanos: Reinaldo Arenas, Cabrera Infante, Virgilio Piñera, Alejo Carpentier e Lezama Lima." Valle coloca os três últimos como os mais comentados ainda hoje entre os jovens de sua terra natal, mas faz a ressalva: "Para ser franco, Lezama influenciou um grupo muito pequeno de escritores cubanos. Posso dizer que há mais autores que apenas dizem tê-lo lido do que aqueles que de fato o leram." Nos anos 90, conta o autor, chegou a ser moda na ilha escrever num estilo "lezamiano, enredado". "Por sorte, isso durou pouco. De todo modo, ele segue sendo lido. É um clássico de nossas letras e isso faz dele leitura imprescindível."



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