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segunda-feira, 14 de março de 2011

Antologia apresenta nova literatura argentinaO projeto foi organizado pelo escritor Luis Gusmán

O projeto foi organizado pelo escritor Luis Gusmán
HUGO VIANA

A palavra “organizador” parece não fornecer a dimensão exata do trabalho de quem a­gru­pa contos, ensaios ou crôni­cas num livro, sendo em geral um termo que sugere uma o­cupação menos conceitual e mais administrativa do que es­sa atividade pode realmente ser. Em alguns casos o uso mais correto parece ser mesmo a palavra “curador”, uma função de alguém que se apropria de um determinado recorte da produ­ção literária e gera, a partir da u­nião desses textos numa anto­logia, uma obra única e distinta quando considerada em rela­ção aos textosoriginais separados.

A publicação “Os Outros: Narrativa Argentina Contemporânea” (editora Iluminuras, R$ 44) é um exemplo prático de como a intervenção do organizador pode deflagrar um olhar sugestivo para o conjunto de textos agrupados, se aproximando da noção de curadoria literária, de alguém que conhece a cena em questão e percebe nela um movimento particular. O projeto foi organizado pelo escritor Luis Gusmán (autor dos livros “O Vidrinho” e “Pele e Osso”) e seu trabalho é precisamente o de alguém que observa o contexto cultural contemporâneo da Argentina e, a partir de certas manipulações, gera um ponto de vista autêntico sobre a escrita do país.

A ideia inicial de Gusmán é aproximar pequenas narrativas a partir da geografia, numa antologia que mapeia escritores argentinos pouco conhecidos no Brasil - lacunas que o livro preenche com pequenas crônicas ideais para o primeiro contato com o público leitor nacional. Ao todo são 27 escritores, referenciados ironicamente no título como “os outros”, mas na verdade o sentido desse rótulo parece ser mais amplo e crítico, sugerindo uma lista de autores que não possuem o status de cânones celebrados da literatura argentina.

O livro ressalta a produção da nova geração, com textos como “O Nariz de Stendhal”, de Daniel Gue­bel, que visita o passado a­parentemente ficcional do escri­tor Stendhal com curioso bom humor numa pequena história insólita sobre a performance de um cirurgião plástico. Em outros contos o livro incorpora sua missão de transcender fronteiras, sejam elas geográficas ou de gênero, e fornece narrativas em que memó­ria afetiva do autor se confun­de com reflexões sobre a região urbana da Argentina atual, co­mo “Tenha Dó (Praça Misere­re)”, de Maria Moreno. No final, o livro passa a sensação de um catálogo para apresentar um recorte da escrita atual da Argentina, uma literatura ampla e difusa.


EDITORA ILUMINURAS - LTDA
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