Titulo Autor      


  noticias


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

UM MANUAL DE COMO ENCONTRAR A SUA SALVAÇÃO

Entre no Googlemaps. Coloque como ponto de partida o Japão e, de chegada, o México. Você verá se formarem segmentos de reta azuis, bem comportadas, e assim se chega daquele ponto ao outro. Será definitiva a visão do oceano a partir da ilha de Honolulu, o sentimento superior não do viajante, mas também um pouco o do náufrago.


A sensação ocorre igual quando se escreve. E, quando se escrevem contos, mais ainda, mas com o zoom mais fechado, muitas vezes mais nitidez, e um desespero amplificado, como uma queda, sempre.

Já com o romance, não. Muito embora o resultado seja sempre o mesmo, a terra devastada, o oceano devastado, a cara na areia. Mas é diferente.

Quando escrevi estes contos d’O destino das metáforas, sabia disto e compreendia ser um outro, distinto daquele que escrevia, ao mesmo tempo, o romance Geronimo, no qual trabalhava há três anos.

O livro de contos partia do que nunca se esgota em um escritor de verdade: a sua certeza de morrer inconcluso. E, para resolver isso o que um escritor faz sempre mais é não concluir, se eternizar em labirintos. No meu caso, o eu-romancista terminou por dizer com dureza ao contista em mim que largasse ali os contos. Escrevê-los era fugir mais uma vez do romance, da coragem de enfrentar o mar alto e a tempestade, ele disse. Não que não hajam também tsunamis nos contos, narrador é narrador em crawl, costas, peito, borboleta, e afogamento, este é mais o meu caso.

Sob a desculpa de escrever, e escrevendo, eu estava não-escrevendo. Foi um monólogo duro e difícil de atravessar daquela vez, a minha voz e a cidade. “Você está afundando, rapaz, afundando”.


EDITORA ILUMINURAS - LTDA
Rua Inácio Pereira da Rocha, 389 Cep: 05432-011 - São Paulo - SP Tel/Fax: (11) 3031-6161