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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Regresso

Tendo aqui escrito pela última vez sob o signo de Mariana Ianelli, o que aconteceu há mais de dois meses, agrada­‑me a ideia de regressar ao blogue a partir de outra obra da escritora brasileira.Acredito até que a noção circular assim proposta poderia agradar a uma autora que estruturou o último livro com base em frases do Padre António Vieira.Refiro­‑me a Almádena, editado em 2007 pela Iluminuras, que se apresenta como um volume poético em sintonia com algumas palavras retiradas do Sermão de Quarta­‑Feira de Cinza (1672), segundo as quais «não sois o que cuidais, nem o que sois», mas «sois o que fostes e o que haveis de ser».Ao escolher esta apropriação do passado e do futuro como elementos constituintes do presente, Mariana Ianelli aponta uma questão essencial da sua poética, a saber, a profunda ligação estabelecida entre o ser humano e o mundo. Poderíamos aqui retomar a noção de Einfühlung, tão cara à estética alemã, para a qual não há descontinuidade na percepção que o ser humano constrói daquilo que o rodeia; pelo contrário, será lícito falar­‑se de entropatia ou mesmo de comunhão entre o indivíduo e o que lhe é exterior, ao ponto de essa exterioridade não ser percebida como tal.



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