Titulo Autor      


  noticias


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

As veias abertas da metáfora

Contos de Sidney Rocha tratam da tragédia e da degradação mais profunda dos personagens




Uma velha metáfora de Julio Cortázar fala da diferença entre o romance e o conto. Os dois gêneros seriam uma luta de boxe, onde, no primeiro, o leitor precisa ser vencido por pontos e no segundo por nocaute. Ou seja, o conto tem por obrigação, no curto limite de seu espaço, surpreender, desenhar-se com a força da surpresa e do encanto. Partindo deste prisma seria esta uma arte ao mesmo tempo delicada e chocante.

O contista Sidney Rocha parece seguir o conselho do escritor argentino. Em geral seus contos trazem esta precisão do soco fatal e definitivo. Seu mais recente livro, O destino das metáforas, traz a necessidade de nocautear o leitor em cada um dos dezessete contos. São textos com um enredo pautado pela tragédia, pela degradação mais profunda dos personagens, mas, paradoxalmente, todos também escritos sob o signo do lirismo. Este contraste, dizer de atrocidades com palavras doces, é um dos mais fortes elementos do soco.

E onde nasce essa contraditória lírica? Sidney pode ser lido com um herdeiro da contracultura dos anos 60 e 70 do século passado. Todas as suas referências estão ali, naqueles dias incertos. Esta inspiração, moldurada pelos conflitos da atualidade, faz nascer uma arte nova. Em alguns momentos chega a preservar o clima de ingenuidade dos dias agora antigos. No entanto, não consegue se libertar da frieza e do individualismo tão necessários à sobrevivência moderna.


EDITORA ILUMINURAS - LTDA
Rua Inácio Pereira da Rocha, 389 Cep: 05432-011 - São Paulo - SP Tel/Fax: (11) 3031-6161