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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Nuno Ramos abre mostra em BH com série de trabalhos que resumem sua trajetória

Fazem parte da exposição desenhos, instalações e pinturas. Artista diz que mantém parceria produtiva com Minas


O artista plástico Nuno Ramos, diante do Brasil, “um país onde tudo está pronto e não está, onde há ainda muito o que fazer”, se deleita. “É o mais legal daqui”, conta ele, que se alimenta desse caos, e das soluções encontradas para os problemas nacionais, para criar e conceber a própria obra, seja nas artes plásticas, na literatura, no cinema e na música. “Essa confusão é a minha estética”, resume ele, cheio de projetos em andamento nas mais variadas áreas de atuação, boa parte com interface com Minas Gerais. A abertura da exposição Só lâmina, nesta quarta-feira, para convidados, e quinta para o público, no Sesc Palladium, em Belo Horizonte, é oportunidade para uma aproximação com o processo criativo do artista.

A mostra reúne 11 desenhos, oito deles representações visuais de estrofes do poema Uma faca só lâmina, de João Cabral de Melo Neto. Também apresenta Luz negra, instalação feita a partir de caixas acústicas que, no chão, tocam a canção Juízo final, de Nelson Cavaquinho. Em outro momento da exposição, dois blocos de pedra, um diante ao outro, estabelecem diálogo a partir do texto escrito pelo artista e lido pelos atores Gero Camilo e Marat Descartes. “A mostra foi adquirida pelo Sesc e já circulou por mais de 40 cidades. É, essencialmente, meu pé na estrada. Tentei propor uma antologia, dando conta da diversidade de gênero e linguagem com que trabalho”, explica Nuno, que estará presente na abertura.

São grandes os projetos aos quais o artista se dedica atualmente. Além de letras de canções, feitas em parceria com Rômulo Froes e com Clima, que deverão se desdobrar em discos em breve, flerta com a literatura, quase diariamente. Autor premiado com várias obras publicadas, entre elas o livro de contos Ó e o de poesia Junco, ambos da Editora Iluminuras, ele prepara para ano que vem Os sermões, livro poético ambientado em Ouro Preto. “É verso, mas prefiro chamar de prosa entrecortada. Será um livro longo, erótico e o nome é referência a um personagem que, quando vai à praia, sobe num banquinho e começa a fazer seu sermão”, adianta.

No entanto, são os projetos de artes visuais que mais o aproximam de Minas. “A cada 15 dias estou aí, culpa do Allen Roscoe”, diz ele, citando a parceria com o arquiteto mineiro que o tem ajudado a tirar do papel a maioria de suas obras. “É um privilégio trabalhar com ele. Me dá segurança, entro com as ideias e ele com a execução, que não é só o lado mecânico do processo, mas também o criativo. Depois que entrou na minha vida, tudo melhorou.” Como trabalha com projetos inéditos, a maioria deles concebidos no limite físico dos materiais empregados na elaboração das peças, a contribuição do arquiteto, que também é engenheiro mecânico, tem sido primordial. Durante muitos anos, Allen manteve parceria semelhante com escultor Amílcar de Castro (1920-2002).


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