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sábado, 15 de novembro de 2008

Raimundo Carrero recebe homenagem de alunos e de editora

RIO - Às vésperas de completar 61 anos, Raimundo Carrero quer ser santo. Não o do tipo católico, entronizável. Pelo contrário: santo de pleno domínio das safadezas e engenhos mundanos; santo “para compreender as almas, amá-las”, diz ele.– Todo criador pretende a santidade. Deve ter um tanto de místico. Descer aos infernos para, na subida, chegar aos sonhos que, no nosso caso, são a salvação – explica ao Idéias&Livros o escritor, pernambucano de Salgueiro, sertão cravado, mas em outro cenário do estado, a praia, na 4ª Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (Fliporto), semana passada.Para ele, santificação é estética:– Refiro-me ao ideal de santidade que leva ao ideal de beleza. É preciso enfrentar o mau e o bem, o belo e o feio, o horror e o sublime, para conhecer a plenitude. Dostoiévski sabia disso. Henry Miller sabia. Jack Kerouac também. A expressão beat, aliás, significa beatitude. Quero estar no grotesco para atingir o maravilhoso. Todo escritor precisa de um Dante que o leve à Beatriz.A caminho da santidade, Carrero já está em estágio avançado: em pleno estado de graça. É o que apontam as homenagens recentes. Na Fliporto, o autor recebeu os louvores dos alunos de sua tradicional oficina literária – uma das precursoras no país. E em comemoração aos seus 60 anos – embora ele já faça 61 em 20 de dezembro – as Edições Bagaço preparam, para início de dezembro, o lançamento de uma caixa com os seus títulos A história de Bernarda Soledade – A Tigre do Sertão, Senhor dos sonhos, Sinfonia para vagabundos e Os extremos do arco-íris.Com 15 livros publicados, Carrero é, hoje, um dos grandes prosadores brasileiros vivos, embora muitas vezes obscurecido pelo rótulo de “nordestino”. Vejamos as láureas oficiais: seu romance mais recente, O amor não tem bons sentimentos, foi um dos finalistas do Prêmio Portugal Telecom deste ano; em 2000, ganhou um Jabuti pelo livro de contos As sombrias ruínas da alma; e, com o título Somos pedras que se consomem, de 1995, já havia conquistado os prêmios Machado de Assis e APCA.



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