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segunda-feira, 30 de julho de 2012

"As Travessuras de Juca e Chico" ganha nova versão

Clarissa Carvalhaes - Do Hoje em DiaApresentar os primeiros rebeldes da literatura, ser precursor das histórias em quadrinhos e dono de um final nada politicamente correto. Tudo isso faz de "As Travessuras de Juca e Chico" (1865), do poeta, pintor e caricaturista alemão Wilhelm Busch (1832-1908), um clássico mundial, que acaba de ser relançado no Brasil.A obra inspiraria, anos mais tarde, o alemão Rudolph Dirks (1877-1968) a criar "Os sobrinhos do Capitão" (em 1897) e o caricaturista Angeli, as tirinhas "Os Skrotinhos" (1987). "As Travessuras..." já foi publicado em mais de 200 idiomas. A primeira versão em português, de 1915, foi traduzida por ninguém menos que Olavo Bilac. Foi dele, aliás, a ideia de batizar os dois pestinhas alemães de Juca e Chico (no original, são Max e Moritz).Passados 97 anos, o texto ganha nova edição com tradução de Cláudia Cavalcanti e, embora conte com as tirinhas originais de Busch (de 1865), recebe uma considerável repaginada. Na verdade, é uma nova forma de contar a mesma história."É uma obra de extrema relevância, que teve o poder de, pela primeira vez, criar a possibilidade do livro de imagem. Em ‘As Travessuras...’, o texto e os desenhos podem facilmente caminhar separados porque, ainda que se complementem, são independentes. O leitor pode apenas seguir a história pelos quadrinhos e entenderá toda a narrativa", comenta a escritora e ilustradora Ângela Lago.No entanto, no livro, a desassociação de texto e imagens não é a única inovação de Wilhelm Busch. Ele também criou uma narrativa moralista e pedagógica, na qual a duplinha que aterroriza um povoado com as impagáveis travessuras é punida de forma extremamente severa."A gente se diverte com o malfeito desses meninos. Ao mesmo tempo é um livro que mostra a diversão perversa de duas crianças sem o menor limite. Na primeira tradução em português, o livro recebeu de Olavo Bilac rimas e ritmos extremamente saborosos. É uma toada popular feita para a criança que felizmente foi resgatada", afirma Ângela.Para Myriam Ávila, autora do livro "Rima e Solução: A Poesia Nonsense de Lewis Carroll e Edward Lear", a obra de Wilhelm Busch não foi criada para atingir o público infantil.



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