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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A música da natureza na poesia de Sérgio Medeiros

Por Maria Esther Maciel*"Totens", do mato-grossense Sérgio Medeiros, é um livro estranho, que resiste às classificações de gênero e desafia nossos esforços de compreensão. Isso graças ao seu caráter nonsense, conjugado a um experimentalismo radical e a uma complexa rede de referências literárias, musicais, plásticas e etnográficas. Medeiros é um conhecido estudioso das cosmogonias ameríndias, tendo traduzido, com a colaboração do americano Gordon Brotherston, o longo poema maia-quiché “Popol Vuh” (Perspectiva, 2007). Organizou também a coletânea de contos indígenas “Makunaíma e Jurupari” (Perspectiva, 2002), além de ter escrito diversos ensaios que abordam esse universo. E o que é mais interessante: não deixou de levar toda essa experiência literário-antropológica para sua obra criativa, na qual também incidem influxos explícitos de James Joyce, Samuel Beckett e John Cage, visto que ele aprecia e estuda, com devoção, artistas e escritores de vanguarda. “Totens” potencializa, explicitamente, esse leque de referências. Daí a originalidade do livro e sua diferença em relação a tudo que se faz hoje no Brasil, em termos de poesia.“Totens” apresenta-se como um livro duplo, com duas partes ao mesmo tempo autônomas e indissociáveis, que nunca se completam. Nessa incompletude, o conjunto afirma sua unidade paradoxal. Como o próprio título sugere, a base dos textos é a imagem do totem, na qual inexiste a separação entre o humano, o divino, o animal e o vegetal. Os limites entre o humano e o não humano são, assim, embaralhados o tempo todo ao longo da obra, causando estranheza aos que tendem a separar esses mundos em nome da razão.



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