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terça-feira, 16 de abril de 2013

Os pestinhas Juca e Chico e 150 anos de pequenas estripulias

Duas edições recém-lançadas presenteiam o leitor brasileiro com o (mesmo) livro de estripulias de Juca e Chico, do escritor e desenhista alemão Wilhelm Busch (1832-1908): As Travessuras de Juca e Chico, da Iluminuras, e Juca e Chico. História de dois meninos em sete travessuras, da Pulo do Gato. Publicados originalmente em alemão em 1865 como Max e Moritz, nome original dos pestinhas, o livro com as sete histórias atravessou 150 anos e chega aos dias de hoje com a mesma capacidade de encantar e divertir adultos e crianças. São aventuras com humor escrachado, sarcástico e muitas vezes maldoso – no sentido, claro, das pequenas maldades imaginadas e cometidas na infância, aquelas sem as quais dificilmente nos tornamos adultos e cidadãos tolerantes. São travessuras nas quais o prazer de narrar, ouvir e olhar os desenhos não é superado por uma moral edificante e onipresente sobre o bom comportamento dos pequenos ou a defesa (opressiva) da harmonia familiar e social (mesmo que estejam presentes ao final do livro – será que o absurdo castigo infligido à dupla soava pior para as crianças em épocas passadas?). As histórias de Wilhelm Busch, neste e em outros livros, têm ritmo e texto ágil, e caminham logo para um desfecho cômico ou inusitado no qual não raro leva a melhor quem menos se espera. O desenho tem um traço com muito movimento, os personagens rapidamente se embolando, rolando nas poses mais engraçadas e em situações corporais que só as crianças são capazes em suas pequenas disputas e imaginações. As duas novas edições fizeram opções diferentes. Enquanto a Iluminuras retraduziu (Claudia Cavalcanti) o texto a partir do alemão e preservou os desenhos originais (que eram p&b e depois foram coloridos), a edição da Pulo de Gato (com prefácio de Rodrigo Lacerda) manteve a tradução da primeira edição brasileira, da década de 1910, do poeta Olavo Bilac e fez uma “releitura” dos desenhos (Casa Rex), aproximando-os da linguagem dos quadrinhos. Sendo um clássico, prefiro a opção da Iluminuras de ser fiel ao desenho original de Busch, não por apego a algum tradicionalismo, mas por interesse em ler e ver os dois pestinhas em seu desenho (mesmo que agora colorido) e diagramação próxima ao original, conforme genialmente feitos pelo autor há 150 anos. Na linha de lançar clássicos infanto-juvenis, a Iluminuras – na série Livros da Ilha – já havia publicado João Felpudo ou histórias divertidas com desenhos cômicos, de Heinrich Hoffmann (também traduzido por Claudia Cavalcanti). Um dos episódios mais interessantes em João Felpudo é a que mostra dois garotos sendo engenhosamente castigados por terem sido racistas contra um personagem negro. Isso foi publicado em 1844 – registro importante para quem acha inadmissível sequer discutir a ocorrência de racismo em livros nos anos 1930 ou 1940, como se na época ser racista no Brasil fosse parte da cultura “aceitável”.



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