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segunda-feira, 16 de março de 2009

Em livro, mineiro leva vantagem

Obra de Lyra elogia Aécio; Serra é citado só de passagem

Daniel Bramatti

Aécio Neves e José Serra são personagens de Daquilo que eu sei - Tancredo e a transição democrática, livro de memórias do ex-deputado e ex-ministro da Justiça Fernando Lyra, obra cujo lançamento reunirá hoje no Recife os dois governadores e presidenciáveis tucanos.

Aécio é apontado, nas páginas finais do livro, como um dos políticos que simbolizam "este momento novo, este avanço histórico que acontece sob os nossos olhos". Já Serra é citado apenas de passagem, na introdução da obra, por conta de um discurso feito em 1964, quando presidia a União Nacional dos Estudantes (UNE), no qual protestava contra o golpe militar em andamento.

O discurso, transmitido pelo rádio, foi ouvido no Recife por Fernando Lyra, então "com 25 anos e praticamente nenhuma atividade política". Nas décadas seguintes, ele estaria na linha de frente do movimento de oposição à ditadura e exerceria papel central nas articulações que dariam a vitória a Tancredo Neves - avô de Aécio - na eleição indireta de 1985, pondo fim ao regime militar.

Lyra escolheu Tancredo - a quem dá o tratamento de "doutor" em todo o livro - como candidato já em 1983. Naquele ano, acompanhou sua posse no governo de Minas e começou a preparar terreno no PMDB e também no governista PDS, cuja divisão seria fundamental para a vitória.

TEMOR

A comemoração deu lugar ao desalento com a doença que impediu a posse do mineiro e o levou à morte. "Foi o dia mais angustiante dos meus 32 anos de vida parlamentar", disse Lyra, sobre a data em que José Sarney assumiu o governo, em meio ao temor de um retrocesso na transição democrática.

Convidado por Tancredo para o Ministério da Justiça, o pernambucano acabou assumindo a pasta no governo de Sarney, com quem não tinha proximidade. Ficou apenas 11 meses no cargo.

Eleito deputado pela primeira vez em 1970, pelo MDB - então único partido legal de oposição -, Lyra integrava o chamado "grupo autêntico" da legenda, que se destacava pela radicalidade na crítica aos militares.

A primeira grande aposta do grupo foi o lançamento da "anticandidatura" de Barbosa Lima Sobrinho à Presidência. A ideia era promover uma agenda de oposição e, na véspera da eleição, abandonar a disputa como forma de denunciar o arbítrio do colégio eleitoral - a escolha do presidente pelo Congresso, onde a governista Arena era majoritária.

A estratégia foi inviabilizada, porém, por Ulysses Guimarães, que se lançou "anticandidato" e, rompendo um acordo com os "autênticos", se submeteu em 1974 ao colégio eleitoral - onde, nas palavras de Lyra, acabou legitimando a eleição do general Ernesto Geisel.



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