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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Argentino Luis Gusmán narra o amor a partir de histórias mínimas

RAQUEL COZER
COLUNISTA DA FOLHA

Enquanto tantos escritores padecem de bloqueios criativos, ao argentino Luis Gusmán, 69, sobram histórias. Como resultado, costuma encaixar várias delas numa só.

Também psicanalista (atende de segunda a sexta, das 7h30 às 19h30, e, para desgosto dos que se digladiam com o papel em branco, ainda encontra o tempo da escrita), Gusmán exerce essa proficuidade desde 1973, quando movimentou a cena literária portenha com o experimental "O Vidrinho".

"Hotel Éden", romance de 1999 enfim traduzido no Brasil, é um exemplo bem acabado de seu talento para a reunião e a concisão.

O autor diz que se trata de uma história de amor, mas, ao acompanhá-la, o leitor esbarrará em memórias envolvendo nazistas, transformações do período peronista, ruínas físicas e emocionais.

O próprio estabelecimento que dá nome ao livro sugere as camadas narrativas que se sobreporão nas suas menos de 150 páginas.

Fundado em 1897 por um ex-oficial do Exército alemão na província de Córdoba, o hotel Éden teve entre seus visitantes, reais ou eternizados pela lenda popular, presidentes argentinos, o príncipe de Gales, o poeta Rubén Darío, Che Guevara e Adolf Hitler.

Fechou as portas em 1965, não sem antes ser usado como prisão de luxo, ao final da Segunda Guerra, para membros da diplomacia japonesa.

Esse é o cenário em que Gusmán baseia os vestígios do amor do escritor Ochoa e da cabeleireira Mônica — "Hotel Éden" é o nome do romance que o protagonista tenta iniciar há décadas, sempre topando em memórias com as quais não sabe lidar.



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