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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Marquês de Sade tem obra reavaliada no ano do bicentenário de sua morte

PARIS - Donatien Alphonse François de Sade (1740-1814) passou 27 anos de sua vida em 11 prisões, sob três diferentes regimes. Aos 45 anos, em uma de suas detenções, já há sete encarcerado, escreveu durante 37 noites consecutivas, entre 19h e 22h, de 22 de outubro a 28 de novembro de 1785, na penumbra de sua cela no segundo andar de uma das torres da Bastilha, um dos manuscritos responsáveis por sua posteridade: “Os 120 dias de Sodoma”. Para alguns considerado um gênio, e para outros um delinquente sexual, o Marquês de Sade — como se tornou conhecido para o mundo —, de escritor maldito passou ao status de autor clássico da prestigiosa coleção da Pléiade, e também a ser ensinado nas escolas. Neste ano do bicentenário de sua morte, no próximo dia 2 de dezembro, o Divino Marquês continua suscitando polêmicas, incensado ou denegrido. Ao mesmo tempo homenageado com uma grande exposição no Museu d’Orsay, em Paris, e reduzido a pervertido pensador medieval em um ensaio do filósofo francês Michel Onfray.

Sade morreu no asilo de doentes mentais de Charenton, aos 74 anos, emprestando seu nome à prática do “sadismo” — a obtenção do prazer sexual pela humilhação e o sofrimento físico —, comportamento explorado no conjunto de sua obra, que inclui ainda títulos como “A filosofia na alcova”, “Justine” ou “História de Juliette”. Ícone da transgressão, libertino, revolucionário, anarquista, escritor, pensador, as definições se acumulam para o personagem que teve problemas com a censura na França até 1957.

No Brasil, um colóquio dedicado ao autor será organizado pela USP e pela Unifesp, entre os dias 15 e 17 de dezembro, com a presença de estudiosos franceses e brasileiros. A editora Iluminuras prepara três livros para lançar durante o evento: o clássico “Justine”; o ensaio “Os libertinos de Sade”, de Clara Castro; e uma nova e revisada edição de “Sade — A felicidade libertina”, de Eliane Robert Moraes (que fará a conferência de abertura do colóquio). Na França, diversos livros sobre o autor chegam às livrarias, como “Les sept vies du Marquis” (As sete vidas do Marquês), no qual o romancista Jacques Ravenne tenta desvendar o “novo Sade”, e “Sade, l’amant des lumières” (Sade, o amante das luzes), de Jean-Pascal Hesse, que usa documentos inéditos revelados pelo arquivo de um colecionador para reabilitar o pensamento do marquês.

Como Shakespeare, Casanova ou Rimbaud, Sade pertence à constelação de escritores em que o mito supera a produção literária, sustenta o jornalista e historiador de arte Thomas Schlesser. Em um artigo recente, ele pergunta: “Mas o que, na vida como na obra do Divino Marquês, faz dele esta espécie de monstro que assombra o inconsciente coletivo? Por que, dois séculos após sua morte, ainda lhe atribuímos esta capacidade de fazer vacilar a ordem do mundo?”



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