Titulo Autor      


  noticias


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Lautréamont, a sombra de um maldito

Edição ampliada de ‘Os Cantos de Maldoror’ e ensaio jogam nova luz sobre a obra do poeta do século XIX

RIO - Isto é o Conde de Lautréamont, que disse ter feito “um pacto com a prostituição a fim de semear a desordem entre as famílias”: o elogio da pederastia, do vampirismo, da crueldade. A exortação ao canibalismo, como quando seu leitor é instado a arrancar os braços da mãe, picar em pedaços e comer logo em seguida sem demonstrar emoção. O ilógico zoo de seres híbridos que povoa as visões de Maldoror, como o homem com cabeça de pelicano, a lâmpada que se transforma em pessoa, o hermafrodita solitário que ele surpreende no bosque ou a fêmea de tubarão que o recebe, com olhares ferozes, mas sem carnificina, para fazer amor sob o mar.

Mas isto também é Lautréamont: o criador provocante de uma poesia em prosa (e em pânico) que resistiu à ação do tempo, ficando jovem para sempre, e cujo “hálito pernicioso”, como ele desejou que acontecesse, ainda hoje parece “subverter até mesmo as verdades absolutas”. Tudo, para esse escritor sem limites, acha-se em mutação permanente. Depois dos três primeiros dos seis “Cantos de Maldoror”, nem ele sabe mais, de tanto que se esgotou em blasfêmias, enredado no aperto das suas visões tentaculares, se realmente “é um homem, uma pedra ou uma árvore quem vai começar o quarto canto”.



EDITORA ILUMINURAS - LTDA
Rua Inácio Pereira da Rocha, 389 Cep: 05432-011 - São Paulo - SP Tel/Fax: (11) 3031-6161