Titulo Autor      


  noticias


sexta-feira, 27 de março de 2015

A realidade em xeque

Em "Urgentes preparativos para o fim do mundo", o real finca raízes no absurdo

Segundo um antigo senso comum (que tem lá sua parcela de preconceito — como, aliás, ocorre em grande parte deles), o crítico em seu ostensivo e implacável exercício é, no fundo, um artista frustrado. Maneja arbitrariamente suas noções de determinada área da arte a fim apenas de desancar qualquer eventual candidato à láurea desejada.

É uma ideia curiosa, sobretudo se levarmos em conta que todo o artista, seja na leitura de outra obra, seja na produção da sua própria, lida com os meandros dessa arte, faz escolhas criteriosas, reflete sobre as implicações delas ou de suas impressões, enfim: o artista é ele próprio um crítico. E a crítica pode, ela própria, ser uma arte, pois se bem praticada permite vislumbrar num filme, num livro ou pintura uma dimensão de significado que por nós mesmos não teríamos alcançado (como o escritor que, através de sua arte, faz o mesmo em relação à existência).

É o caso de Inácio Araújo, nome caro à crítica cinematográfica brasileira, como o são Luiz Zanin Oricchio, Sérgio Alpendre e mais recentemente, com seu Na sala escura, Chico Lopes, entre outros. O leitor habitual de suas críticas na Folha de S. Paulo constatará a continuidade existente, em termos de sólido conhecimento sócio-histórico e da psique humana, entre suas análises de cinema e sua prosa, em seu mais recente livro de contos Urgentes preparativos para o fim do mundo.

É boa oportunidade para conferir o que o crítico tem a oferecer no campo artístico, ainda que num âmbito diverso ao de seu trabalho mais conhecido.



EDITORA ILUMINURAS - LTDA
Rua Inácio Pereira da Rocha, 389 Cep: 05432-011 - São Paulo - SP Tel/Fax: (11) 3031-6161