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terça-feira, 31 de março de 2015

Cubano Virgilio Piñera terá obra reeditada no Brasil

Dirce Waltrick do Amarante* - Especial para o Estado

A vida como sucessão de golpes terríveis é tema central do livro

A lista de escritores e artistas cubanos reconhecidos internacionalmente por seus trabalhos é grande e vai desde escritores como José Lezama Lima, Guillermo Cabrera Infante, Severo Sarduy, etc., até performers ousadas como Ana Mendieta e Tania Bruguera. Com a retomada das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos, imagina-se que outros artistas de grande importância, mas que foram de certa forma obscurecidos pelo regime castrista, virão à tona.

Esse, parece-me, será o caso do romancista, dramaturgo e poeta Virgilio Piñera (1912 -1979), um dos escritores mais originais de Cuba, segundo a crítica, que teria se antecipado, no teatro, ao absurdo de Eugène Ionesco e de Samuel Beckett e, na visão de mundo, ao existencialismo de Jean-Paul Sartre.

A propósito de sua possível ligação com essas correntes europeias, Piñera afirmava não se considerar de todo existencialista nem absurdista: “Digo isso porque escrevi Electra (Electra Garrigó) antes que As Moscas, de Sartre, aparecesse em livro, e escrevi Alarme Falso antes que Ionesco publicasse e encenasse a sua A Cantora Careca”. Segundo o escritor cubano, todas essas tendências literárias estavam no ar. “Mesmo que eu vivesse em uma ilha desligada do continente cultural, ainda assim era filho de minha época, a quem os problemas da tal época não podiam passar despercebidos”. Além disso, para ele, Cuba, antes da revolução, era “existencialista por falta e absurda por excesso”. E lembra de uma anedota: “Ionesco estava se aproximando das costas cubanas e, só de vê-las, disse: Aqui, não tenho nada que fazer, esta gente é mais absurda que o meu teatro ”.



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