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domingo, 5 de abril de 2009

Páginas para a história

No inicio de março, com as primeiras estrelas de uma quinta-feira, encontrei o ex-deputado Fernando Lyra numa mesa alegre no Óliver. Não o via há mais de uma década. O tempo não lhe roubou o charme e a distinção. Dirige-me a ele, pronunciando no timbre adequado o seu nome e demonstrando toda minha alegria em revê-lo. Seu olhar interrogativo no primeiro momento demonstrou bem que o tempo havia passado. “Jornalista Jorge Henrique Cartaxo”, disse ele, abrindo um largo sorriso, se pondo de pé, me dando um abraço fraterno e feliz, dissipando a dúvida expressa no primeiro momento. Depois das amabilidades e da alegria daquele reencontro, no seu estilo absolutamente pernambucano, franziu o sobrecenho e me disse: “Meu livro está pronto. Vou lançá-lo em Brasília ainda nesse semestre. Não falte”.

Na terça-feira passada, voltei ao encontrar o ex-deputado Fernando Lyra. Agora, no Salão Nobre da Câmara, numa solenidade pouco concorrida, fui adquirir o livro – Daquilo que eu sei – Tancredo e a transição democrática - e ouvir suas palavras e a dos oradores convidados. Depois de Lyra, falaram o deputado Marcondes Gadelha, o senador Cristovam Buarque e o jornalista Tarcisio Holanda. Além dos jornalistas que cobriram o Congresso no final da década de 70 até o final da década de 80, compareceram ao evento alguns servidores e nenhum parlamentar.

Há tempos não se tem mais emoções com o que acontece ou deixa de acontecer na vida política brasileira. Portanto, aquele desprezo à memória e o descaso com uma das mais proeminentes figuras públicas da transição democrática brasileira, constrange, mas não surpreende. Fernando Lyra foi um dos articuladores – se não o mais importante construtor – da vitoriosa candidatura de Tancredo Neves à presidência da República em 1984. Hábil, sedutor, corajoso, intuitivo, Fernando Lyra ajudou a edificar aquela alternativa que o destino nos roubou, que foi a candidatura do admirável governador mineiro.

Essa história, conhecida por poucos, começa a ser contada com mais dados pelos raros estudiosos da história brasileira e pela memória dos seus atores. Fernando Lyra foi um deles. No governo Sarney, que nomeou o ministério escolhido por Tancredo, Lyra foi o primeiro ministro da Justiça do Brasil democrático e governado por civis.



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