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sexta-feira, 17 de abril de 2015

‘Era hora de falar de sexo’, diz Nuno Ramos sobre seu novo livro, 'Sermões'

Fonte:O Globo

Enquanto volta a pintar e tem suas canções gravadas, artista evoca em livro um tema pouco explorado em sua obra: o erotismo

SÃO PAULO - Assim que chega ao ateliê para pintar, o que tem feito todos os dias nos últimos nove meses, Nuno Ramos liga o fogão industrial que fica isolado no fundo do espaço, um galpão no bairro do Cambuci, em São Paulo. A chama baixa sob o caldeirão de 50 litros derrete a parafina usada nas pinturas, um processo que leva muito tempo para atingir o ponto ideal — Nuno quer o material muito quente, quase líquido, quando seu manejo torna-se exigente.

O cheiro enjoativo da cera vai ocupando o galpão, onde se encaram quatro telas imensas. Elas são parte da próxima exposição do artista plástico, prevista para agosto na Pinacoteca de São Paulo. Cada uma pesa pelo menos 500 quilos, elas ainda não estão prontas, mas já expõem cores fortes e texturas que misturam pelúcias, metais, madeira, lona, cordas, fibra de vidro, cetim e utopias.

— Essas quatro telas fazem referência a quatro imaginários utópicos: “Maracangalha”, do Dorival Caymmi; “O manto de penas” (da peça escrita por Zeami Motokiyo, um clássico do teatro japonês Nô); “No país do Houyhnhm”, de “As viagens de Gulliver”, do Johnathan Swift; e a tela “O semeador”, do Van Gogh — cita Nuno, entusiasmado como um iniciante. — Há dez anos eu não pintava, estou muito feliz de retomar a pintura, usar tantas cores.

Mas ainda não é hora de falar das pinturas que o artista plástico Nuno Ramos tem pintado, nem das canções que o compositor Nuno Ramos tem composto (o próximo álbum de Mariana Aydar tem músicas dele, assim como o primeiro disco de Clima, como é mais conhecido o músico e artista plástico Eduardo Climachauska, ambos previstos para breve).

É hora de falar de “Sermões”, livro que o escritor Nuno Ramos acaba de escrever, depois de ganhar dois prêmios Portugal Telecom (em 2009, levou o prêmio principal com o romance “Ó”; em 2012, venceu na categoria poesia com “Junco”). O nome não sugere, mas a capa de “Sermões” (ao lado) já dá pistas do tema, até então pouco explorado em sua obra: o erotismo.



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