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sábado, 2 de abril de 2016

LEITURA - O rosto da multidão

Fonte:Folha Web

Em seu novo romance "Fernanflor", o escritor Sidney Rocha aposta no trabalho de linguagem para narrar a história de um pintor de superfície

As árvores secam, os homens morrem, as nações afundam, as estrelas apagam. O caminho natural das coisas parece tão óbvio quanto lógico. Geralmente a percepção dessa obviedade só ocorre quando a pele enruga, os ossos quebram e as doenças prosperam.

É esse tipo de percepção que abate Jeroni, personagem do novo romance do escritor cearense Sidney Rocha. Após uma vida rica e agitada, percebe que o fim é tão inimaginavelmente besta que o sentido da vida escorre ralo abaixo.

Lançado pela editora Iluminuras, "Fernanflor" narra a trajetória de Jeroni Fernanflor, um pintor que corre o mundo realizando retratos de pessoas ricas, famosas e importantes. Os retratos que pinta são amados pelos clientes pela sua capacidade de conseguir registrar aquilo que as pessoas desejam ser, ou desejam parecer ser.

Na infância, um de seus passatempos prediletos era capturar escorpiões e colocá-los para duelar. Uma batalha cruel e mortal onde nenhum dos oponentes sobrevivia: "Nessa hora de cansaço e humilhação Jeroni se agacha, faz a captura com a pinça e os guarda no pequeno estojo oval de metal. Coloca a urnazinha ao ouvido e passa o dia ouvindo suas lamúrias, a carenagem se debatendo contra o metal do estojo, dois dias, três, depois o silêncio. São prisioneiros de sua própria guerra. Quando a tampa se abre, são uvinhas enrugadas. O hálito amargo escapa lá de dentro e é preciso proteger os olhos dos gases. É o exato momento em que a vida se evapora dentro da caixa."



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