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sábado, 4 de junho de 2016

Do ofício de traduzir Shakespeare

Traduzir Shakespeare pode parecer redundante. O excelente site da PUC-Rio, Escolha seu Shakespeare, lista 181 obras do bardo traduzidas no Brasil. Mas isso não significa que o trabalho esteja feito.

Traduções envelhecem, e novas traduções, idealmente, trazem textos distintos, atualizados, aprimorados. Os tradutores vão ganhando material de apoio melhor, como dicionários especializados na obra shakespeariana e o próprio trabalho dos tradutores anteriores, uma fonte valiosa de consulta.

O primeiro a verter todas as peças de Shakespeare para o português brasileiro, Carlos Alberto Nunes, na década de 1950, teve que lidar com muitas peças inéditas – ele "tirou do barro", como diz José Roberto O'Shea. Obras completas, aliás, surgiram apenas outras duas: traduzidas por Carlos de Almeida e Oscar Mendes, no final dos anos 1960, e pela crítica Barbara Heliodora, publicada há alguns anos e hoje, enquanto está fora de catálogo, passando por extensa revisão de uma amiga com quem ela, falecida em 2015, trabalhava.

O trabalho de José Roberto O'Shea mostra como é possível trilhar novos caminhos mesmo com Shakespeare. Quando ele traduziu Antônio e Cleópatra e Cimbeline, Rei da Britânia, as duas peças estavam há 30 anos sem novas versões no Brasil. Sua tradução de O Primeiro Hamlet – In-Quarto, de 1603, era inédita em português (aqui e em outros países), porque os tradutores sempre se debruçaram sobre outras duas versões da obra, de 1604 e de 1623. Há diferenças significativas de estrutura, extensão e falas entre as duas e a traduzida por O'Shea.



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