Titulo Autor      


  noticias


domingo, 11 de setembro de 2016

Edward Lear, o avô dos surrealistas, ganha edição com seus contos e poemas insólitos

Contemporâneo de Lewis Carroll (1832-1898), mas nascido 20 anos antes, o escritor e desenhista inglês Edward Lear (1812-1888) exerceu tremenda influência sobre o autor de Alice no País da Maravilhas, tanto na escrita como no traço – e, principalmente, no uso do nonsense como força indutora de histórias extraordinariamente adoráveis. Exemplo disso é o livro Conversando com Varejeiras Azuis, que reúne pequenos contos, desenhos de espécies botânicas absurdas e receitas culinárias que nenhum chef assinaria, além dos seus populares limeriques (limericks) – poemas com rimas ‘nonsense’ em que a última linha é praticamente idêntica à primeira (e igualmente carente de sentido).

Desnecessário dizer que uma antologia tão maluca exige tal grau de liberdade que só mesmo uma tradutora com talento poético e cabeça nas nuvens poderia dar conta de Lear. Dirce Waltrick do Amarante era, naturalmente, a opção preferencial. Ela já traduziu outro livro do autor em seu bicentenário, Viagem numa Peneira, além de ser autora de um ensaio sobre ele (As Antenas do Caracol).

Lear foi um autor marcado como um criador de histórias para crianças, que, de fato, adoravam seus limeriques, aparentemente construídos para o riso fácil. Anthony Burgess, o autor de Laranja Mecânica, recorreu a ele para criar as expressões de seus adolescentes transgressores, mas não concordava em reduzir a dimensão literária de sua obra à pura diversão. Para Burgess, Lear era um crítico severo da sociedade em que viveu, apoiando sua defesa num dos textos mais conhecidos do escritor, The Owl and the Pussycat, em que uma coruja e um gato se apaixonam e se casam com a bênção de um peru.



EDITORA ILUMINURAS - LTDA
Rua Inácio Pereira da Rocha, 389 Cep: 05432-011 - São Paulo - SP Tel/Fax: (11) 3031-6161