Titulo Autor      


  noticias


segunda-feira, 8 de maio de 2017

Guillaume Apollinaire, o prazer e a perversão

Em “As onze mil varas”, as excursões do príncipe romeno Mony Vibescu não apresentam novas paisagens, mas levam o leitor sempre para um mesmo destino: à clausura, ao crime e ao sexo

Dirce Waltrick do Amarante
Especial para o Jornal Opção

Em “Guillaume Apo­lli­naire: Fábula e Lírica” (Editora Unesp, 2003), Silvana Amorim elenca uma série de codinomes usados por Guillaume Apollinaire (1880-1918), pseudônimo, aliás, de Wilhelm Apollinaris de Kos­trowitzky: Guillaume Macabre, Merlim, o encantador apodrecido, o poeta assassinado etc. Segundo a estudiosa, essa obsessão em se renomear “indicaria o impulso permanente de recriar-se” e, de fato, ele se recriava atuando como poeta – cuja poesia dialogava com as pinturas cubistas –, dramaturgo, crítico de arte, conhecido por ter cunhado o termo “surrealismo”, e autor de novelas eróticas à moda de Marquês de Sade, cuja obra o teria influenciado a embarcar nessa outra empreitada literária.

[p1A editora Iluminuras acaba de publicar uma de suas novelas libertinas, “As onze mil va­ras ou os amores de um hospedar”, na tradução de Letícia Coura. Não é a primeira vez que o livro é publicado em por­tuguês, no Brasil, mas ele não poderia faltar na nova co­leção da editora, “à deriva…”, dedicada a obras eróticas.]

“As onze mil varas ou os amores de um hospedar” foi publicado em 1907, sob as iniciais “G. A.”. A novela conta a história de um príncipe romeno, Mony Vibescu, um libertino, que troca Bucareste pela vida agitada de Paris: “[…] o belo príncipe Vibescu sonhava com Paris, a Cidade Luz, onde as mulheres, todas belas, levam também, todas, uma vida fácil”. Esse é, de fato, o tema central do livro: os encontros com mulheres e homens de vida fácil ou não; logo nas primeiras páginas, lê-se que, “Chegando à porta do vice-consulado da Sérvia, Mony mijou longamente contra a fachada, e então apertou a campainha. Um albanês vestido com um saiote branco veio abrir-lhe a porta. Rapida­mente o príncipe subiu ao primeiro andar. O vice-cônsul Bandi Fornoski estava completamente nu em seu salão”..

O pano de fundo dessas or­gias são as viagens do príncipe através da Europa e o seu envolvimento numa guerra contra os japoneses: “O cerco de Porto Arthur havia começado. Mony e seu ordenança Cornaboeux estavam presos ali com as tropas do bravo Stoessel. Enquanto os japoneses tentavam forçar a mu­ralha fortificada com fios de fer­ro, os defensores da praça de guer­ra consolavam-se dos tiros de ca­nhão que ameaçavam matá-los a cada instante frequentando assiduamente os cafés dançantes e os bordéis que ainda estavam abertos”.



EDITORA ILUMINURAS - LTDA
Rua Inácio Pereira da Rocha, 389 Cep: 05432-011 - São Paulo - SP Tel/Fax: (11) 3031-6161