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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

'Anatomia da Melancolia' disseca vida de anatomista do século 17

Na página 36 de "Anatomia da Melancolia", de Carlos Daniel Aletto, lê-se a seguinte frase: "Eu parecia encantado pelos pálidos tecidos das janelas, que eram movidos pelo brando vento e transformavam o aposento em uma dança de fantasmas: até que uma das tábuas da tela se agitou como um postigo solto e me tirou da abstração".

Em meio a anotações que roçam o lugar-comum e descrevem banalidades na aparência, surge a surpresa de um acontecimento que, em sua simplicidade, abre possibilidades de interpretação e de perspectiva.

É como se, a cada página, o romancista argentino indicasse um "postigo solto" que o tira (e a seu leitor) da abstração, para logo lançar-se (e lançá-lo) em outra.

Até mesmo o achado casual de um volume com o título "Anatomia da Melancolia", escondido não nos recantos das estantes da Biblioteca Nacional da França, mas em um microfilme, pode parecer a fórmula muito fácil para o começo de uma intriga.

É que o escritor tem domínio do estilo e da ironia, da linguagem e dos seus desdobramentos: o livro que encontra precede em seis anos "The Anatomy of Melancholy", o portentoso tratado de Richard Burton, e mesmo esse pequeno romance de Aletto, com suas poucas 128 páginas, é o sinal irônico de que outro livro foi gerado sob igual título.

O romance exibe uma estrutura em espiral, a partir da qual se vai aprofundando o conhecimento sobre o anatomista Andrés Vesalio, o primeiro a dissecar um corpo humano.

Dissecação é palavra-chave no romance, por meio de uma narrativa que aparenta recriar a linguagem do século 17 e dá voz ao próprio Andrés Vesalio para que conte uma história que não apenas antecipa a de Richard Burton mas também a de quem deseje reconstituir qualquer época: será mentira, será verdade?



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