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domingo, 25 de fevereiro de 2018

Tradutora leva o espelho opaco de 'Finnegans Wake' para o português

Obra de Dirce Waltrick do Amarante se soma aos esforços de Donaldo Schüller, irmãos Campos e Caetano Galindo

Wilson Alves-Bezerra*, Especial para o Estado

Em 1923, o irlandês James Joyce (1882-1941) mal acabara de publicar Ulisses – “um romance para acabar com todos os romances” (Harry Levin) – e já se pôs a escrever aquele que viria a ser um livro ainda mais radical: um longo poema em prosa composto por fragmentos de 64 idiomas sobre a base do inglês. No processo da escrita, que duraria até 1939, iria se deparar com a mal reconhecida esquizofrenia de sua filha Lucia, a degradação irreversível de sua visão, questionamentos sobre sua própria sanidade e, claro, o livro que, para ele, ocuparia os universitários pelos próximos 400 anos: Finnegans Wake. Em que pese o custo pessoal, talvez não previsto, a faina literária de Joyce consistia em algo engenhoso: escrever em língua inglesa de um modo tal que a língua inglesa deixasse de existir (Phillippe Sollers). De forma que, além de monumento literário, o livro passou a ser objeto de espanto: “É possível ler FW? É possível traduzir FW? (...) Como foi possível escrever FW?”, perguntou-se certa vez João Alexandre Barbosa.

Passados 80 anos de sua publicação, há duas traduções no Brasil: a precursora, que consiste em fragmentos traduzidos por Augusto e Haroldo de Campos, entre 1957 e 2001; a de 1999, do destemido Donaldo Schüler, que produziu Finnicius Revém, a tradução integral, publicada em cinco volumes bilíngues fartamente anotados. É a tal série que vem se somar o trabalho de Dirce Waltrick do Amarante, com seu Finnegans Wake (Por um Fio). O paranaense Caetano Galindo está trabalhando também numa tradução integral da obra.



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