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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

'Trio Pagão' é uma realização intensa da poética das alteridades

Obra de Sérgio Medeiros é lançada pela editora Iluminuras

GUILHERME GONTIJO FLORES

"Eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta", célebre verso de Mário de Andrade, pode se aplicar a todo poeta que siga a sina de outrar-se na língua, assumindo uma multiplicidade das visões do mundo. "Trio Pagão", de Sérgio Medeiros, é uma realização intensa dessa poética das alteridades, sem cair no sentimentalismo ou na culpabilização simplória.

Dividido em três poemas longos, o livro pode também ser lido como três transformações em que o poeta funde e se desdobra em outras figuras humanas, literárias, animais, vegetais e minerais.

Assim lemos: "Observo o caráter humano das plantas...", "Observo o caráter humano das formigas...", "Observo o caráter humano dos grãos de areia...", "Observo o caráter humano desta rocha...", num ato que é também o de transformação de si e do que é outro.

Em "Esculturas de Caligrafias", Medeiros performa um trabalho delicado de caligrafia sem palavras. A partir de uma folha de papel dada pelo índio xavante Jerônimo Tsawé, realiza totens visuais enquanto grafa e rasura nomes importantes para o poeta, tais como Vicuña, Klein e Tunga.



EDITORA ILUMINURAS - LTDA
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