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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Cartas de James Joyce revelam relação com sua editora Harriet Weaver

Escritor recebeu auxílio moral e financeiro de sua editora, mostra correspondência

Conhecida como editora e ativista política, a inglesa Harriet Shaw Weaver (1876-1961) viveu o bastante para confirmar o acerto de sua aposta no escritor irlandês James Joyce (1882-1941). Quando o poeta norte-americano Ezra Pound (1885-1972) procurava novos colaboradores para The Egoist e descobriu Joyce, Harriet concordou em publicar na revista que ajudou a manter – e da qual se tornou editora – capítulos do romance Um Retrato do Artista Quando Jovem, em 1914, dois anos antes de sua publicação em livro. Nascia aí a amizade entre o irlandês de formação católica e a editora comunista que abjurou sua formação burguesa – mas não a herança familiar, com a qual ajudou a bancar a carreira do escritor, inclusive a publicação de Ulisses no exterior, quando as gráficas do Reino Unido se recusaram a imprimir o livro por causa de seu polêmico conteúdo.

Harrriet não era militante do Partido Comunista ao conhecer Joyce. Era uma mulher rica, filha de um médico e herdeira de uma fortuna, que usou muito bem, ajudando o autor de Ulisses até na hora da morte – seu enterro foi pago com seu dinheiro. Essa amizade durou até a primeira leitura de Finnegans Wake, quando o relacionamento entre os dois foi abalado pela reserva com que Harriet recebeu o experimental livro de Joyce. Numa carta datada de 14 de novembro de 1927, a editora de Ulisses, Sylvia Beach, critica a amiga, que adorava, por ter desaprovado a publicação em série de Finnegans Wake numa revista de vanguarda parisiense, justificando que Joyce escreveu para ela o livro (só publicado em 1936) – e não teria se importado se outra pessoa não gostasse dele. O fato é que Finnegans Wake detonou a amizade entre James Joyce e Harriet Weaver.



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