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sábado, 9 de fevereiro de 2019

'Vapor Barato' conta história dividida em 26 sessões psicanalíticas

Apesar de ter apenas dois personagens, livro de Wilson Alves-Bezerra é protagonizado pelo país em que paciente e psicólogo vivem

Faustino da Rocha Rodrigues*, Especial para o Estado
09 Fevereiro 2019 | 16h00

Como sair imune a transformações políticas que anunciam uma realidade social conturbada? Como traduzi-las para a literatura? E mais: como fazer isso sem cair em uma grande introspecção a denotar que as angústias de um determinado protagonista tomem o lugar principal da trama obscurecendo a realidade ao redor? Wilson Alves-Bezerra sabe o caminho. Vapor Barato é escrito na forma de diálogos nas consultas de um paciente com seu psicanalista. Cada sessão, um capítulo. São 26. E, de modo até mesmo abrupto, porém, sem rispidez e agressão ao leitor, os dilemas surgem.

Embora com apenas dois personagens, não é exagerado dizer que o protagonismo esteja fora deles. Isso porque Bezerra está longe de se restringir às angústias do paciente no divã – caminho que exigiria a minuciosa escrita dos pensamentos verbalizados, insinuando profunda introspecção. Tais angústias permanecem em primeiro plano, mas em permanente sintonia com a realidade bastante presente na vida do leitor. Explico melhor.

A realidade social em questão é muito similar à brasileira. A palavra Brasil sequer é mencionada e toda referência feita pelo paciente à sua pátria remete à Esmerilhândia. O nome remete ao verbo esmerilhar, e, consequentemente, ao seu significado que quiçá possa ser melhor empregado aqui: polir. Trata-se, neste caso, de um ato contínuo a implicar ação não finalizada. O referido país ainda não está terminado. O leitor facilmente se dá conta disso, evidenciando o apelo do autor àquele que tem contato com o livro.



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