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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Dirce Waltrick do Amarante lança guia de leitura sobre James Joyce

Ieda Magri, Jornal do BrasilRIO - Para ler Finnegans Wake de James Joyce, de Dirce Waltrick do Amarante, é uma entrada nos bastidores da elaboração do último livro do escritor irlandês, uma espécie de guia de leitura bastante sofisticado, já que não se furta de comentar os muitos estudos feitos por pesquisadores do mundo inteiro sobre este romance considerado de difícil leitura, e ainda uma ousada investida na tradução de um de seus capítulos, o oitavo, intitulado “Anna Livia Plurabelle”.Desse modo, pode-se pensar nele como uma enorme ficha de leitura que acompanha esta obra de James Joyce, já traduzida no Brasil, primeiro por Augusto e Haroldo de Campos, e depois por Donald Schüller, esta em versão integral.As duas traduções brasileiras são amplamente citadas e recomendadas pela autora, cujo esforço mais visível e digno de nota é oferecer tanto ao leitor interessado apenas em conhecer a obra de Joyce, como a estudiosos do livro, a mais ampla gama de informações pertinentes à leitura. Numa época em que o Finnegans Wake é preterido mesmo nos cursos de letras pela sua dificuldade de leitura, o esforço é louvável e certamente contribui com os estudos de literatura dentro e fora das universidades. Dirce Waltrick do Amarante é professora e certamente conhece a contribuição que pode dar um roteiro de abordagem de uma obra desse porte.Mantendo as citações do Finnegans Wake na língua original e fazendo a tradução para o português, o livro permite a tradução também do leitor que quiser se aventurar nos jogos de linguagem propostos por Joyce. É interessante perceber as opções da tradutora para as palavras-valises, os trocadilhos, as paródias e, principalmente, para as combinações de palavras de línguas diferentes. Uma leitura da mesma passagem do Finnegans Wake, traduzida por Dirce Waltrick do Amarante, por Augusto e Haroldo de Campos e por Donaldo Schüller, dá uma ideia das opções de cada um no que diz respeito à participação do tradutor na versão do texto original. Certamente o conceito usado por Augusto e Haroldo de Campos é mais pertinente para o caso: a tradução do Finnegans Wake é, na verdade, sempre uma transcriação.Vejamos o original de James Joyce: “Who? Anna Livia? Ay, Anna Livia. Do you know she was calling bakvandets sals from all around, nyumba noo, chamba choo, to go in till him, her herring cheef, and tickle the pontiff aisy-oisy? She was? Gota pot! Yssel that the limmat? As El Negro winced when He wonced in La Plate”.Agora vejamos a versão de Augusto e Haroldo de Campos: “Quem? Anna Livia? Sim, Anna Livia. Sabe que ela transandou com tudo quanto é salso, nyumba nu, chamba chu, pra ir atrás dele, seu patrão patrusco, e tiltirar o sumo patífice no betsiboca? Ela foi? Yssel é o finn! Você limmata! Como El Negro piscou quando pescou em La Plata”.



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