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sábado, 14 de novembro de 2009

A volta de Salgari, o rei dos oceanos e da selva

Três livros do escritor italiano, entre eles Os Piratas da Malásia, estão nas livrarias à espera de leitores que sigam o exemplo de Fellini e Umberto Eco, seus fãs

Edward Said não gostava nada da ideia que o Ocidente fazia do Oriente. Aliás, achava mesmo que o Oriente era uma invenção do Ocidente para manter os orientais submissos, mas jamais culpou o italiano Emilio Salgari (1862-1911) por isso. O mais amado escritor de aventuras da Itália, lido por Fellini e Umberto Eco, mais conhecido que Dante na Itália, não recuou ao reduzir o oriental a estereótipo, transformando Sandokan, um príncipe oriental, num vingativo pirata temido por comandantes ocidentais, o que explica, talvez, a omissão de Said. Os heróis de Salgari, afinal, eram bárbaros donos do mundo. O resto era a civilização, aborrecida e invariavelmente representada por imperialistas ingleses. E são esses bárbaros que estão de volta com o lançamento de Os Piratas da Malásia (tradução de Maiza Rocha, Editora Iluminuras, 256 páginas).

Nesse livro, cheio de sangue, suor e fúria, Sandokan, o nobre cuja família foi exterminada, vira um pirata conhecido pela alcunha de o Tigre da Malásia, perseguindo mais uma vez os ingleses, claro. Salgari publicou essa sequência de Os Tigres de Mompracem (também lançado pela Iluminuras ao lado de Os Mistérios da Selva Negra) em 1896. No mundo real, a Inglaterra estava em guerra com Zanzibar, a mais curta de toda a história. Zanzibar se rendeu depois de 38 minutos. É mais o menos o tempo que Sandokan precisa para ajudar seu amigo Tremak-Naik, o caçador de serpentes, a fugir da prisão de Norfolk e juntar-se a ele no combate ao arqui-inimigo James Brooke, o caçador de piratas. Simples assim.

E foi justamente essa simplicidade que conquistou milhões de jovens em todo o mundo, formando gerações e gerações de italianos como o cineasta Sérgio Leone, o inventor do western spaghetti, que cansou de ler as aventuras ambientadas por Salgari no Velho Oeste americano. O escritor italiano jurava ter conhecido Buffalo Bill em Nebraska. Como era marinheiro, é preciso dar um desconto para sua ilimitada imaginação - que, de resto, fez nascer personagens como Kammamuri, fiel companheiro de Tremal-Naik, o exótico caçador de serpentes que, em Os Mistérios da Selva Negra, se apaixona por uma virgem prometida à deusa Kali.

Já em Os Tigres de Mompracem, o herói Sandokan surge acompanhado de seu fiel amigo, o português Yanez. Há, claro, também uma linda garota, Marianna, que o faz esquecer a luta contra os antípodas e todos os sentimentos de vingança contra esses malditos caucasianos. O guerrilheiro argentino Che Guevara leu 62 livros do escritor italiano para concluir que foi, desde criança, um "salgariano" radical, um anti-imperialista destinado a lutar contra poderosos.

E, acima de tudo, um corsário um pouco ao estilo de Steeve Reeves, o saradão que massacra sem piedade os marujos de navios que cruzavam seu caminho em Os Piratas da Malásia.



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