Titulo Autor      


  noticias


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Poder, glória e morte do romance

Raimundo Carrero*, Jornal do BrasilRIO - A publicação recente do livro A cultura do romance (CosacNaify), organizado por Franco Moretti, coloca a ficção no centro dos debates literários e culturais imediatos. Algo que parece antigo e que, no entanto, se renova a todo instante, sobretudo numa época em que a tradição é profundamente desrespeitada. É por isso que se proclama a morte do romance que, aliás, não pode morrer, pelo simples fato de que não existe. O romance não existe? Não, não existe. Faz tempo foi morto e sepultado. Só não viu quem não quis.Foram tantas as revoluções, tantas as mudanças, tantas as alterações radicais, que o romance precisou morrer para viver; numa espécie de ascetismo que, parece, a própria Igreja Católica agora desconhece. Não foi sem espanto que, no começo do século passado, portanto há um século, Georg Lukács viu esta morte tão próxima – posição revista depois. E que Ferenc Fehér tentou restaurar tempos adiante em O romance está morrendo (Paz e Terra, 1977), com brilhante introdução de Leandro Konder. É natural, assim, que a ficção, ao longo de sua vida e sobrevida, tenha enfrentado tantos obituários e profecias. Basta um olhar na história.O livro A cultura do romance – parte ainda menor de um projeto ambicioso que engloba mais quatro volumes – aborda várias questões essenciais em artigos assinados por Mario Vargas Llosa, por exemplo – cujo trabalho já se tornou clássico; ou, como se dizia antigamente, já nasceu clássico – e é dividido em quatro grandes painéis : “O romance se faz espaço”, “Narração e mentalidade”, “Gente que escreve, gente que lê” e “Narrar a modernidade”, que mostra a dimensão do esforço de Moretti. E, em certo sentido, chega a dividir, em dois, o escritor e o autor de romances, segundo a expressão de Benedetto Croce, registrada no artigo “O romance é concebível sem o mundo moderno”, de Claudio Magris – e já estamos na página 1013. Uma ironia, sem dúvida, uma grave ironia, até porque Croce se referia a Alberto Moravia, um notório vendedor de histórias, descuidando da estética ficcional.



EDITORA ILUMINURAS - LTDA
Rua Inácio Pereira da Rocha, 389 Cep: 05432-011 - São Paulo - SP Tel/Fax: (11) 3031-6161