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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Pele e Osso, romance de Luís Gusmán, ganha tradução no Brasil

Laura Lorena Utrera, Jornal do Brasil

RIO - Seria insuficiente dizer que Pele e Osso, de Luis Gusmán, é um romance a mais entre os que integram o catálogo do autor. Sobretudo quando uma pergunta tão argentina, tão atual, atravessa as primeiras páginas do livro: que faz um homem para sustentar sua profissão quando a realidade adversa lhe golpeia a cara? Mais ainda, que faz um vendedor de peles para viver e defender sua profissão – peleteiro – quando a sociedade toma consciência da matança indiscriminada de animais e ecologistas destacam em suas agendas a proteção das espécies?

Principalmente por dois motivos, Pele e Osso é um romance da herança. Primeiro, porque compreende um assunto trabalhista, que insere o personagem Landa no mundo econômico, definindo-o e, por sua vez, dando um título ao livro (no original, El peletero): Landa herda de seus pais o ofício de peleteiro. E, segundo, porque mostra o caso, a doença que Landa herda de seus avós maternos: a diabete que o afeta, o rotula e o identifica desde as primeiras páginas do relato. Profissão e afecção que o tornam diferente dos demais, mas que garantem a Landa um lugar côncavo, que encontrará seu convexo em Osso, personagem que é seu complemento necessário.

Além disso, um novo assunto parece agregar-se a esta ideia de herança: a voz do narrador que conta como Landa premedita o incêndio de seu negócio, quase ao modo de Roberto Arlt, mas com diferenças perceptíveis. Não se trata de um ato terrorista, de uma confabulação, de uma loucura ou de uma alucinação, mas de um ato de identidade. Landa empenha-se em ser esse personagem que, a todo o tempo, quer fazer algo. Pois bem, o romance se torna complexo quando notamos que o problema de Landa não é só a defesa de sua fonte de renda (de conservar um lugar na cadeia econômica), mas de sua profissão, daquilo que sabe fazer porque lhe ensinaram. Lugar que, certamente, está repleto de fraudes, porque a mentira de Landa, de se dizer advogado perante os outros, requer empregar certos artifícios em defesa de seu ofício.



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