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ALMÁDENA

MARIANA IANELLI

  • R$ 42,00


A terra esplandece,

Consorte de quem parte.

Agora amanhece.

 

Eu me perdi, Almádena.

 

 

Mariana Ianelli — em seu frescor de sombras e quedas de água, ligeiras desesperações, vozes líquidas, quase serenas, na solfa dos pássaros, no canto de Salomão e sobretudo na ferida noturna e grave de João da Cruz — atinge uma altitude inconteste. Poesia de uma riqueza de uma densidade, de uma sutilíssima percepção das coisas que nos cercam.

Almádena é uma espécie de consciência vigilante, torre alta e bem plantada, frente ao lirismo em que mergulha e do qual emerge com rigoroso espanto. A torre do Padre Vieira, do Sermão do espelho e do Demônio Mudo. O severo. O contido. E as mirabilia. Mariana mede a palmos certos as formas de língua, o ritmo e a força das imagens nos mares do texto.

Nessa torre de vertigem e liberdade, vejo o início de uma etapa, em que Mariana terá de se haver com os limites do silêncio, assim como Vieira, quando converte Deus para Deus — no Sermão do Bom-Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda. Mariana não quer pouco. E sente o risco desse jogo de rara beleza.

Mas é outra a máquina de guerra, tal como Holanda e Portugal são outros, e agasalham nomes e destinos vários.

Almádena é o marco de suas novas terras. Descobertas não faz muito. E que urge conquistar com serena alegria e vivacíssimo risco. Frescor de sombras e quedas de água. Ligeiras desesperações. Vozes líquidas.

 

Marco Lucchesi

 

A poesia de Mariana Ianelli apresenta uma rara conjugação entre um registro discursivo de extração clássica e uma inquietação subjacente que tensiona o clássico e o desestabiliza por meio de alta voltagem metafórica.

Neste novo livro de uma produção que se consolida e se refina a cada obra, Mariana desdobra-se em doze faces ou segmentos que atravessam a dor, o desconsolo, o desejo e a morte, e seu apurado domínio técnico elabora uma dicção ao mesmo tempo culta, comovente e perturbadora.

À contracorrente do minimalismo, o fio discursivo de Mariana se distende em laboriosa reflexão sobre tudo aquilo que acena à superação da contingência, embora nela se abasteça. Um sopro cosmogônico perpassa a poesia de Almádena, com inflexões antirrealistas no vislumbre angustiado da dimensão do inacessível.

Como diz Mariana, no esplêndido poema que dá título ao livro, “Não há rumor nas coisas, / Elas são o que são. / Não desejam explicar-se. / A porcelana, a cambraia, a murta / E a falta de uma asa”. A poesia fala dessa falta. E empresta-nos a asa ausente para que, no sobrevoo lírico, acerquemo-nos perigosamente da matéria volátil e incandescente da vida.

 

 Antonio Carlos Secchin

Autor(a) Mariana Ianelli
Nº de páginas 104
ISBN 978-85-7321-260-0
Formato 14x21 cm

Autores

MARIANA IANELLI

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