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BORGES EM / E/ SOBRE CINEMA

EDGARDO COZARINSKY

  • R$ 53,00
  • R$ 39,75

*LIVRO VENDIDO NO ESTADO.

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Não será permitida troca do livro, exceto em caso de defeitos gráficos


“Somente o incorrigível bajulador... que assombra as claustrofóbicas celas da Academia de Cinema talvez não fique encantado com a publicação da crítica selecionada de Borges em BORGES EM/E/SOBRE CINEMA de Edgardo Cosarinski.

“Além de uma excelente introdução, Cozarisnki redigiu curtos estudos críticos” dos oito filmes “em que Borges trabalhou ou que foram adaptados a partir de suas histórias”. Enfim, há um duplo ensaio extremamente divertido em que ele desvia sua atenção do próprio Borges para o seu ubíquo alter ego ‘Borgesiano’, traçando a origem do uso da palavra na crítica de cinema contemporânea...”

 

Borges no cinema foi espectador, crítico, vítima (de adaptações infiéis) e autor (de roteiros).

Seu fascínio pela tela grande advém do caráter teratológico do cinema: narração do maravilhoso e estudo das monstruosidades. Filho do espelho, que duplica a imagem, é máquina de duplicação da vida.

O livro que o leitor tem em mãos é a compilação das notas estampadas em Sur e Discussão entre 1931 e 44, amorosamente recolhidas por Edgardo Cozarinsky, crítico e cineasta, além de borgeano.

O cardápio cinematográfico de Borges incluía Chaplin, King Vidor, John Ford, Hitchcock, Sternberg – confessadamente o cineasta que mais influenciou a sua obra –, William Wyler, Marcel L’Herbier e os pratos feitos que o cinema comercial oferecia ao espectador que freqüentava a rua Lavalle.

Borges via o cinema como um espectador comum, em busca de evasão, e um intelectual comum, isto é, colonizado culturalmente. “Entrar em um cinematógrafo da Rua Lavalle e me encontrar (não sem alguma surpresa) no golfo de Bengala ou em Wabash Avenue parece-me preferível a entrar no mesmo cinematógrafo e me encontrar (não sem alguma surpresa) na Rua Lavalle”.

Os textos de Borges sobre cinema são divertidos – para quem os lê e certamente para quem os escreveu – e irônicos, como a querer lembrar-nos de que estamos no mundo da cultura de massa, com seus sortilégios de baixa extração. Por isso mesmo, isentos de pedantismo (“No cinema somos leitores de Mme. Delly”).

Como tudo o que escreveu, são arbitrários: o recorte pessoal liberta o escritor de compromissos com escolas ou programas. O enfoque recai no viés narrativo, nos estratagemas de que o cinema lança mão para cristalizar uma forma de historiar, por isso seu interesse pelos primeiros filmes de Josef von Sternberg. Com Bioy-Casares, amigo de todas as horas, Borges dedicava-se a analisar o enredo de poemas, romances, contos e, é claro, filmes.

Em se tratando de Borges, não surpreende que o crítico de cinema se interesse pelos temas do escritor. A iconologia medieval atrai a atenção por um filme como “Alexandre Nevski” (Os Cavaleiros de Ferro), para além de qualquer teoria formal ou alusão política. Outro tema do Borges contista que aparece nas suas reflexões sobre o cinema é o elogio da morte gloriosa, da morte como reação a uma vida medíocre (a dele, a nossa), vida de renúncia, vida não vivida.

Daí sua admiração pelos valentes, que exerciam o “ofício da coragem”, e pelos suicidas: ele mesmo foi um suicida em potencial. Assolado por uma memória inapagável, que o oprimia ao ponto da paralisia (tema de resto do extraordinário conto “Funes, o memorioso”) via-se na contingência de descarregar seus fantasmas por intermédio da criação. “Escrevo um conto para me livrar dele, e passar a coisas mais interessantes”, disse certa vez.

A reflexão de Borges sobre o cinema ficou marcada por sua enorme bagagem crítica e vocação de escritor. Seu olhar está informado pela tradição cultural, e sua principal vocação é a do mitógrafo, o inventor da tradição, que incute nobreza na matéria trivial, forjada pelo acaso. Para resolver o dilema do escritor autenticamente cosmopolita, mas sujeito a uma mera contingência argentina, Borges se compraz em idealizar seja o mundo dos janotas fanfarrões, que levam a honra na ponta da faca, seja a história pátria, da qual se sente um legítimo herdeiro, pela morte heroica de um antepassado.

 

Carlos Augusto Calil

Autor(a) Edgardo Cozarinsky
Tradutor(a) Laura J. Hosiasson
Nº de páginas 160
ISBN 85-7321-132-6
Formato 14x21 cm

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