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CIMBELINE, O REI DA BRITÂNIA

WILLIAM SHAKESPEARE

  • R$ 56,00

A peça Cimbeline, Rei da Britânia tem sido um tanto subestimada pela crítica shakespeariana. Notoriamente, a partir da reação de críticos racionalistas, como Samuel Johnson e George Bernard Shaw, corre a fama de que o enredo da peça é convoluto, a situação, em dados momentos, incongruente.
Por sua vez, as supostas dificuldades do texto têm resultado na sua infrequente encenação. Na verdade, criado por um Shakespeare amadurecido, o texto é extremamente intrigante, sobrepondo tragédia, comédia e até farsa; o verso apresenta um ritmo inusitado, perturbador, um lirismo memorável, e as canções, cantadas ou declamadas, são das mais belas entre as que constam das peças shakespearianas.

Passada na Britânia pagã, na época da ocupação romana e do legendário Rei Cimbeline, a ação intensa – que inclui engodo, injustiça, desejo, voyeurismo, rapto, transformismo, mutilação, morte, ressurreição, intercessões sobrenaturais, reencontros, revelações inesperadas e, sendo um romance, reconciliação – apresenta fortes componentes de contos de fadas, assim como no caso das outras três peças congêneres e contemporâneas: Péricles, O Conto do Inverno e A Tempestade. 

Em que pese a fama de dificuldade, a peça, bem encenada, e livre das restrições do teatro realista, é absolutamente cativante, de vez que contém, entre tantos outros, dois dos momentos cênicos mais célebres e eletrizantes
em toda a dramaturgia shakespeariana: Giácomo, na calada da noite, sai de um baú, no quarto de Imogênia, para espreitá-la, enquanto esta dorme à vontade (ato 2, cena 2); e Imogênia, em um momento posterior (ato 4, cena 2), ‘acorda’ ao lado do corpo de Clóten, o parvo pretendente, decapitado, e pensa estar ao lado do cadáver do marido, Póstumo Leonato. A heroína, cujo caráter é um misto de coragem, engenhosidade, impulsividade, integridade e paixão, sobrevivem, literalmente, à injusta acusação de adultério imputada pelo próprio marido. Não é por menos que, na tradição dramática inglesa, atrizes – de Helen Faucit e Ellen Terry, no século XIX, a Peggy Ashcroft, Vanessa Redgrave, Helen Mirren e Judi Dench, no século XX – anseiam pela oportunidade de atuar como Imogênia.

Resta-nos tomar conhecimento desse texto fascinante e experimentá-lo nos tablados brasileiros.

Autor(a) William Shakespeare
Tradutor(a) Jose Roberto O´Shea
Nº de páginas 224
ISBN 85-7321-172-5
Formato 16x23 cm

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